Programa de saúde bucal de Ilhabela reduz cáries em escolares e ganha reconhecimento nacional. Conheça as práticas inovadoras e seus resultados.
O município de Ilhabela (SP) vem se destacando no cenário da odontologia pública. Um estudo elaborado pela rede municipal de odontologia foi publicado na revista da Associação Paulista de Cirurgiões‑Dentistas (APCD) e apresentada no Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo (CIOSP).
Esse trabalho evidencia boas práticas em atenção primária à saúde bucal, com foco especial em crianças e adolescentes da rede municipal de ensino.
Resultados expressivos
- Em 2006, apenas 47,75 % das crianças de 12 anos estariam livres de cárie no município.
- Em 2017, esse percentual alcançou 80,88 %, com índice CPOD (cárie, perda e obturação nos permanentes) de apenas 0,99.
Esses números mostram clara evolução e indicam que o programa adotado reduziu fortemente a incidência de cárie.

Estratégias adotadas
O programa atua desde 2005, em parceria entre as Secretarias municipais de Saúde e Educação.
As medidas incluem:
- Visitas mensais de agentes de saúde bucal às escolas, onde fazem orientação de higiene oral, aplicação de placa-bacteriana para conscientização e escovação supervisionada.
- A cada semestre, cirurgiões-dentistas e suas equipes visitam as escolas para avaliação de risco, aplicação tópica de flúor e encaminhamento para tratamento em unidades de saúde.
- Integração entre atenção primária à saúde (via estratégia de saúde da família) e o ambiente escolar, promovendo educação em saúde bucal.
Reconhecimento acadêmico e institucional
- O estudo ganhou 2.º lugar no Fórum Científico do 42.º CIOSP (2025).
- A divulgação pela prefeitura de Ilhabela aponta a publicação na revista da APCD como marco de reconhecimento nacional.
- Tais eventos reforçam que a iniciativa vai além de atendimento clínico: ela se conecta à produção de conhecimento científico e ao fortalecimento das políticas públicas.
Por que esse modelo chama atenção?
Ênfase na prevenção e educação
Muitas políticas de saúde bucal ainda concentram-se em tratamento. O modelo de Ilhabela prioriza prevenção, com intervenções constantes em ambiente escolar e educação contínua. Isso permite a formação de hábitos saudáveis desde cedo — “quando podemos evitar o surgimento de doenças e formar hábitos que acompanham o aluno por toda a vida”, como afirmou o cirurgião-dentista Antônio Galante.
Integração entre saúde e educação
A articulação entre Secretarias de Educação e Saúde, e a atuação regular nas escolas, garantem que a promoção da saúde bucal seja parte do cotidiano dos estudantes, não apenas atendimentos isolados.
Evidência científica que valida a política
A publicação e o prêmio conferem credibilidade ao programa como prática replicável em outros municípios. Isso facilita a difusão e adoção do modelo em contextos similares.
Desafios e oportunidades de expansão
Mesmo com bons resultados, existem pontos a considerar:
- Sustentabilidade: Manter a periodicidade de visitas, formação de agentes, e recursos para aplicação regular exige financiamento e gestão contínua.
- Escalonamento para outras faixas etárias: Embora o foco tenha sido em escolares, ampliar para pré-escolares, adolescentes mais velhos ou comunidades vulneráveis pode ampliar o impacto.
- Monitoramento e dissagregação de dados: Garantir que os resultados sejam conhecidos por gênero, região da ilha, etnia ou condição social ajuda a identificar desigualdades.
- Compartilhamento da experiência: Produzir manuais, workshops e materiais para que outras cidades aproveitem o modelo.
O programa de saúde bucal escolar de Ilhabela se consolida como um exemplo de excelência em atenção primária, combinando prevenção, educação e evidência científica. Além disso, mostra como um município pode transformar dados em práticas e políticas que beneficiam crianças, adolescentes e a comunidade como um todo. Portanto, ao reconhecer o valor desse trabalho, abre-se caminho para replicação e fortalecimento de políticas públicas de saúde bucal em todo o país.
Fonte: Prefeitura de Ilhabela/SP
