Ubatuba recebe XIV Festival da Mata Atlântica e XI Semana do Mar com programação intensa e consciência ambiental

Festival da Mata Atlântica e Semana do Mar movimentam Ubatuba com atividades de conscientização, trilhas, cinema, feira sustentável e debates sobre o futuro do bioma mais biodiverso do Brasil

Entre os dias 27 de maio e 8 de junho, Ubatuba será palco de uma grande celebração à natureza: o XIV Festival da Mata Atlântica e a XI Semana do Mar. O evento une informação, arte e ação em uma programação diversa que reforça a urgência da preservação do bioma mais biodiverso — e também mais degradado — do Brasil: a Mata Atlântica.

Conexão com a natureza e aprendizado coletivo

Durante quase duas semanas, moradores e visitantes poderão participar de palestras, mutirões de limpeza de praias, sessões de cinema ao ar livre, trilhas ecológicas, oficinas educativas e visitas guiadas a áreas naturais. Uma das atrações mais esperadas é a Trilha das Praias Desertas do Sul, além da Feira de Negócios e Investimentos Ambientais, com foco em soluções sustentáveis.

Outros destaques da programação incluem:

  • Cine Natureza nos Territórios, no CDHU da Marafunda
  • Roda de conversa sobre Fundos Municipais, com temas como saneamento e infraestrutura
  • Oficina Artística e Educativa “O Caminho das Águas”, que une arte e ciência para todas as idades

Mata Atlântica: a riqueza ameaçada

A Mata Atlântica abrange 15% do território brasileiro, está presente em 17 estados e também se estende por áreas da Argentina e do Paraguai. Embora seja lar de uma imensa variedade de espécies, restam apenas 12,4% da vegetação original, muito disso fragmentado e isolado.

Um dado alarmante: segundo o Atlas da Mata Atlântica 2019, entre 2018 e 2019 foram devastados 14.502 hectares, o equivalente a 14 mil campos de futebol. É a maior taxa desde 2016.

A fragmentação da floresta ameaça a sobrevivência de espécies como a onça-pintada, que hoje conta com apenas cerca de 300 indivíduos em todo o bioma. Se esse cenário persistir, corremos o risco de perder o animal topo de cadeia, o que causaria um colapso no ecossistema.

Retrocessos e resistência

Nos últimos anos, flexibilizações nas leis ambientais, como o Despacho 4410/2020, enfraqueceram a proteção da Mata Atlântica ao permitir que áreas desmatadas até 2008 não precisem ser recuperadas. Esse afrouxamento tem potencial devastador, sobretudo em regiões sensíveis como margens de rios e topos de morros.

Mas a resistência também cresce. Instituições como o WWF-Brasil atuam com projetos de restauração de nascentes (como no rio Mogi Guaçu), fortalecimento de RPPNs (Reservas Privadas do Patrimônio Natural) e apoio à conservação de onças-pintadas, em parceria com o Projeto Onças do Iguaçu, Instituto Manacá e Instituto Curicaca.

Além disso, o WWF integra o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, com a meta ambiciosa de restaurar 15 milhões de hectares até 2050.

Celebrar, aprender e agir

O festival em Ubatuba vai muito além da contemplação. É um chamado à ação, uma oportunidade de se reconectar com a natureza, aprender sobre os desafios e colaborar na construção de um futuro mais justo para o meio ambiente e para as próximas gerações.

Fontes: Prefeitura de Ubatuba e https://www.wwf.org.br/