Ubatuba recebe nos dias 27 e 28 de agosto a V Jornada da Rede da Pessoa com Deficiência do Litoral Norte e o II Fórum de Reabilitação, com debates sobre acessibilidade e capacitismo.
Evento deve reunir cerca de 200 participantes por dia e coloca em pauta desde planejamento urbano e desenho universal até esporte adaptado, reabilitação e atitudes que ainda criam barreiras para pessoas com deficiência.
Quando a barreira não está na pessoa, mas na cidade e na sociedade
Uma calçada difícil de atravessar, um espaço público sem acesso adequado ou uma atitude que subestima a capacidade de alguém também podem limitar direitos. É a partir dessa discussão que Ubatuba receberá, nos dias 27 e 28 de agosto, dois encontros voltados à inclusão das pessoas com deficiência no Litoral Norte.
Profissionais, gestores, estudantes, pessoas com deficiência e familiares participarão da V Jornada da Rede da Pessoa com Deficiência do Litoral Norte e do II Fórum de Reabilitação, que neste ano terão como tema central “Acessibilidade e Ambiente”.
Coordenados pela Unidade de Reabilitação (UNIR), da Secretaria Municipal de Saúde de Ubatuba, os encontros devem reunir cerca de 200 participantes por dia e abordar temas que interferem diretamente na autonomia e na participação das pessoas com deficiência na sociedade.

Dois dias e diferentes olhares sobre inclusão
A programação será dividida em duas etapas.
No dia 27 de agosto, das 16h30 às 21h, as atividades serão realizadas no Teatro Municipal Pedro Paulo Teixeira Pinto. A primeira noite será dedicada à abertura oficial, sensibilização pública e abordagens sociais e culturais relacionadas à acessibilidade.
Já no dia 28 de agosto, também das 16h30 às 21h, o encontro será realizado na Câmara Municipal de Ubatuba, com painéis técnicos, debates institucionais e discussões destinadas à construção de diretrizes para fortalecer a rede regional de atendimento.
Entre os assuntos previstos estão desenho universal, acessibilidade urbano-ambiental, reabilitação, esporte adaptado e a relação entre barreiras físicas e sociais e a garantia dos direitos das pessoas com deficiência.
O II Fórum de Reabilitação terá uma abordagem mais técnica, reunindo profissionais de diferentes áreas e incluindo também discussões sobre práticas de combate ao capacitismo.
Capacitismo também está nas atitudes do cotidiano
Um dos objetivos dos encontros é ampliar a compreensão sobre a deficiência para além de uma condição individual.
Segundo a coordenadora da UNIR, Leovigilda César, é necessário superar uma visão que associa deficiência exclusivamente à limitação ou que leva à infantilização das pessoas atendidas.
“O evento busca desconstruir a visão ultrapassada que trata a deficiência como limitação individual ou infantilização do cuidado”, afirmou.
A proposta, segundo a coordenadora, é estimular a compreensão do modelo social da deficiência, no qual obstáculos arquitetônicos, urbanos e comportamentais podem restringir a autonomia e a participação das pessoas.
Nesse contexto, o combate ao capacitismo deixa de ser apenas uma discussão teórica e passa por situações concretas do cotidiano — desde a forma como os atendimentos de saúde são realizados até o planejamento das cidades e as relações sociais.
Especialistas e histórias que ajudam a ampliar o debate
A programação contará com convidados de diferentes áreas.
A assistente social Maria Joana Monte Claro será homenageada pelo trabalho desenvolvido na estruturação da reabilitação no município.
O arquiteto e professor universitário Flávio Malta discutirá planejamento urbano e ergonomia inclusiva.
Já o atleta de Para-Jiu-Jitsu Rafael Teodoro compartilhará sua trajetória no esporte adaptado, enquanto o fisioterapeuta Lucas Prado abordará práticas anticapacitistas e dados relacionados à Fisioterapia e à Terapia Ocupacional.
A diversidade dos participantes pretende aproximar diferentes dimensões da inclusão: saúde, arquitetura, esporte, políticas públicas e convivência social.
Do debate para a praia: inclusão também passa pelo acesso ao lazer
Durante os encontros, Ubatuba também apresentará iniciativas já desenvolvidas no município.
Uma delas é o projeto “Inclusão é Nossa Onda”, que promove atividades na Praia do Perequê-Açu e busca ampliar o acesso de pessoas com deficiência ao mar.
A iniciativa inclui cadeira anfíbia, acompanhamento de fisioterapeuta e atividades como surf adaptado, transformando a praia em um espaço de lazer e participação para um público que historicamente encontra diferentes obstáculos para usufruir desses ambientes.
Em 2026, Ubatuba também criou uma secretaria responsável pela política voltada às pessoas com deficiência.
Outra medida apresentada como boa prática pelo município é a Lei Municipal nº 4.626/2024, que prevê redução da jornada de trabalho para servidores municipais com deficiência ou responsáveis legais por dependentes com deficiência.
Uma discussão que envolve todo o Litoral Norte
A Jornada não é uma iniciativa isolada de Ubatuba.
A primeira edição da Jornada da Rede da Pessoa com Deficiência do Litoral Norte foi realizada em dezembro de 2017 e contou com participação dos quatro municípios da região.
Já o primeiro Fórum de Reabilitação ocorreu em agosto de 2025, durante a IV Jornada, reunindo profissionais da Saúde para compartilhar metodologias, experiências e estratégias relacionadas à reabilitação.
Também estiveram em discussão tecnologias assistivas, práticas interdisciplinares e políticas públicas inclusivas.
A edição de 2026 dá continuidade a esse trabalho e procura fortalecer uma visão regional sobre acessibilidade e atendimento às pessoas com deficiência.
Fonte: Prefeitura de Ubatuba/SP

