Terremoto de magnitude 7,4 atinge a Colômbia semanas após tremores devastadores na Venezuela. Entenda o cenário sísmico.
Abalo desta segunda-feira (10) atingiu o oeste colombiano e ocorreu poucas semanas depois dos terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que deixaram mais de 5 mil mortos na Venezuela.
Poucas semanas depois de dois terremotos devastarem parte da Venezuela e deixarem mais de 5 mil mortos, a América do Sul enfrenta uma nova tragédia sísmica. Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu o oeste da Colômbia nesta segunda-feira (10), provocando mortes, desabamentos e uma ampla operação de busca e resgate.
Até o início da noite desta segunda, ao menos 111 mortes e 87 feridos haviam sido contabilizados na Colômbia, segundo informações divulgadas pela Reuters e pela Associated Press. O balanço ainda pode mudar à medida que as equipes conseguem chegar às áreas mais atingidas.
O terremoto colombiano e a tragédia recente na Venezuela inevitavelmente levantam uma pergunta: há alguma relação entre os dois episódios e a América do Sul está enfrentando uma atividade sísmica fora do normal?
A proximidade no calendário chama atenção, mas não significa, por si só, que um terremoto tenha provocado o outro.

Terremoto de magnitude 7,4 atinge a Colômbia
O terremoto desta segunda-feira ocorreu próximo a San José del Palmar, no departamento de Chocó, no oeste colombiano.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou magnitude 7,4, com profundidade estimada em aproximadamente 107 quilômetros.
Apesar da profundidade considerável, o abalo foi sentido em uma extensa região.
Relatos de danos chegaram de cidades como Cali, Pereira, Quibdó e Manizales. Segundo a Associated Press, cerca de 1.600 construções haviam sido danificadas e pelo menos 61 apresentavam colapso total no balanço disponível nesta segunda-feira. Também foram registradas réplicas após o tremor principal.
As características geográficas de algumas das áreas atingidas dificultam o acesso das equipes de emergência, especialmente em comunidades mais isoladas do departamento de Chocó.
Por isso, os números permanecem sujeitos a atualização.
Venezuela ainda se recupera de uma tragédia muito maior
O novo terremoto ganha ainda mais repercussão porque acontece poucas semanas depois de uma das maiores tragédias sísmicas recentes da América do Sul.
Em 24 de junho, dois fortes terremotos atingiram o norte da Venezuela com menos de um minuto de intervalo.
Os tremores tiveram magnitudes reportadas de 7,2 e 7,5, afetando principalmente o estado de La Guaira e a região de Catia La Mar. Nas semanas seguintes, o número de vítimas aumentou à medida que avançavam as buscas nos escombros.
O balanço divulgado em 17 de julho apontava 5.069 mortos e 16.740 feridos. Outras 17.907 pessoas haviam perdido suas casas, enquanto mais de 21 mil permaneciam em abrigos temporários.
A dimensão da emergência provocou uma mobilização internacional.
A Organização das Nações Unidas afirmou que dezenas de equipes de busca e salvamento de mais de 30 países foram mobilizadas para auxiliar na resposta ao desastre venezuelano.
Os terremotos da Venezuela e da Colômbia estão relacionados?
Essa é uma das principais dúvidas surgidas após o terremoto colombiano.
Até o momento, não há evidência de que o terremoto desta segunda-feira na Colômbia tenha sido provocado pelos terremotos ocorridos na Venezuela em junho.
Especialistas ouvidos pela imprensa destacam que a proximidade temporal entre grandes terremotos não é suficiente para estabelecer uma relação causal entre eles.
A região norte e noroeste da América do Sul possui uma geologia complexa, marcada pela interação entre diferentes placas tectônicas e sistemas de falhas.
A Colômbia, em particular, é um país com atividade sísmica frequente. Isso significa que tremores fazem parte da dinâmica geológica regional, embora terremotos destrutivos de grande magnitude sejam muito menos comuns.
Por que dois grandes terremotos em pouco tempo chamam tanta atenção?
Porque terremotos acima de magnitude 7 liberam uma enorme quantidade de energia e têm potencial para provocar grandes danos, dependendo de fatores como profundidade, distância de áreas habitadas, características do solo e qualidade das construções.
Mas dois grandes terremotos ocorridos em países relativamente próximos dentro de algumas semanas não significam automaticamente que esteja em curso uma sequência regional conectada.
Também é importante evitar interpretações de que um grande terremoto em determinado país permita prever o próximo.
A ciência consegue identificar regiões de maior risco sísmico, estudar falhas e calcular probabilidades ao longo do tempo, mas não consegue prever com precisão o dia, horário e local de um terremoto futuro.
E o Brasil? Há motivo para preocupação?
O terremoto colombiano também repercutiu no Brasil. Segundo relatos reunidos pela imprensa nesta segunda-feira, o tremor foi percebido até em Manaus, a milhares de quilômetros da área epicentral.
Sentir um terremoto distante, porém, não significa que o território brasileiro esteja prestes a sofrer um evento semelhante.
O Brasil está situado no interior da Placa Sul-Americana, distante das principais zonas de contato entre grandes placas tectônicas responsáveis pelos terremotos mais poderosos do continente.
Isso não significa que o país seja livre de terremotos.
Tremores acontecem no território brasileiro devido principalmente à movimentação de falhas geológicas e à transmissão de tensões pelo interior da placa. Em geral, entretanto, apresentam magnitudes muito menores que os grandes terremotos registrados na região andina.
Entenda em 1 minuto
- 🇨🇴 Colômbia: terremoto de magnitude 7,4 atingiu o oeste do país nesta segunda-feira (10).
- Vítimas: o balanço disponível aponta ao menos 111 mortos e 87 feridos, mas os números podem mudar.
- 🇻🇪 Venezuela: dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 atingiram o país em 24 de junho.
- Tragédia venezuelana: o balanço divulgado em julho chegou a 5.069 mortos e 16.740 feridos.
- Existe ligação entre os episódios? Até o momento, não há evidência científica de que o terremoto colombiano tenha sido provocado pelos tremores venezuelanos.
- 🇧🇷 Brasil: pode registrar terremotos e sentir grandes abalos ocorridos em outros países, mas está distante das principais zonas de contato entre placas tectônicas da América do Sul.
Os terremotos da Venezuela e da Colômbia reforçam a vulnerabilidade sísmica de partes do continente, mas a ocorrência próxima no tempo não deve ser interpretada como sinal de que grandes terremotos estejam “avançando” pela América do Sul.
No caso colombiano, a prioridade agora permanece nas operações de resgate. Como a ocorrência é recente e há comunidades de difícil acesso, o número de vítimas e a dimensão dos danos ainda poderão ser atualizados pelas autoridades nas próximas horas.

