Em meio à reabertura do terminal rodoviário de Ubatuba, moradores e associações criticam a postura da Prefeitura e vereadores, apontando falhas na comunicação, na transparência e no respeito às demandas municipais.
Após dias de incertezas e manobras judiciais, o terminal rodoviário de Ubatuba foi reaberto, como resultado de um acordo emergencial firmado entre a administração municipal e a empresa responsável pela operação. Entretanto, a retomada dos serviços foi envolta em controvérsias e críticas intensas tanto de moradores quanto de setores da sociedade civil.

Contexto e Reabertura
Na última terça-feira (17/6), o terminal foi fechado abruptamente após o acionamento de um processo de reintegração de posse, o que obrigou passageiros a suportarem longos períodos expostos ao sol enquanto os ônibus eram deslocados para pontos alternativos. A pressa em resolver o impasse culminou em um acordo de reabertura, mas não sem deixar questões em aberto.
Embora a decisão tenha permitido a continuidade temporária das operações, o levantamento feito pela Secretaria Municipal e relatos da população local indicam que o procedimento careceu de uma comunicação clara. Poucos detalhes foram compartilhados sobre as condições acordadas e sobre os próximos passos para a regularização definitiva do terminal, fato que tem gerado muita insatisfação.
Críticas ao Posicionamento da Prefeitura e dos Vereadores
A reabertura do terminal acabou por expor uma postura inconsistente dos gestores públicos. Diversos moradores e lideranças comunitárias questionam a falta de transparência na condução do processo. Segundo eles, tanto a Prefeitura quanto alguns vereadores demonstraram pouca disposição para esclarecer o ocorrido e para prestar contas do uso dos recursos públicos destinados à manutenção e modernização do serviço.
Os críticos apontam ainda que o diálogo com a população ficou aquém do necessário. “Esperávamos mais cuidado na comunicação. Não basta simplesmente reabrir o terminal sem explicar exatamente como será garantida a segurança, a regularidade do serviço e o cumprimento das normas de uso do espaço público”, comenta um representante da associação de usuários do transporte.
Além disso, fiscais do orçamento afirmam que os estudos técnicos divulgados eram superficiais e que os números da arrecadação, que justificariam o investimento na manutenção da infraestrutura, não foram atualizados conforme os parâmetros exigidos pela legislação. A impressão é de que os procedimentos foram apressados, deixando a sensação de que os interesses políticos se sobrepuseram às reais necessidades dos municípios.
Reflexões e Desafios para o Futuro
Apesar do alívio imediato que a reabertura pode ter proporcionado a quem depende diariamente do transporte coletivo, o episódio serve de alerta para a necessidade de uma gestão pública mais transparente e participativa. Especialistas e lideranças locais pedem que, daqui em diante, todos os planos para a revitalização e expansão do terminal sejam discutidos em audiências públicas e que haja um canal efetivo de comunicação com a população.
“Reunir a comunidade para debater os próximos passos é fundamental para garantir que a reabertura do terminal não seja apenas uma solução emergencial, mas parte de um projeto de modernização e respeito aos direitos dos cidadãos”, afirma um assessor de mobilidade urbana.
Enquanto isso, a administração municipal promete intensificar os esforços para corrigir as falhas apontadas, mas a confiança dos munícipos – e a exigência por respostas claras – permanece em xeque.


