Prefeitura de Ubatuba desmente relação entre morte e “bactéria comedora de carne”, cobra Google e Meta por fake news e reforça medidas para proteger imagem e economia da cidade.
Prefeitura desmente surto e cobra responsabilização de perfis por desinformação
A Prefeitura de Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo, notificou extrajudicialmente as plataformas Google e Meta (Instagram e Facebook), exigindo a remoção imediata de conteúdos que associam, de forma sensacionalista e infundada, a presença de uma “bactéria comedora de carne” às praias da cidade — especialmente em Perequê-Mirim. A medida foi tomada pela Secretaria Municipal de Assuntos Jurídicos após postagens anônimas e de influenciadores digitais viralizarem, alegando um suposto surto de fasciíte necrosante no município.

A origem do boato
O caso que desencadeou a desinformação ocorreu no fim de abril, quando um homem de 30 anos morreu com sintomas compatíveis com fasciíte necrosante, uma doença rara e agressiva que ataca os tecidos moles e pode evoluir rapidamente para falência múltipla de órgãos. O homem teria tomado banho no mar na praia do Perequê-Mirim antes do agravamento do quadro. No entanto, não foi confirmada nenhuma relação direta entre o óbito e a água do mar.
A Santa Casa de Ubatuba, que atendeu a vítima, divulgou nota oficial afirmando que “não foi identificada correlação causal com agentes etiológicos de natureza infectocontagiosa” nos óbitos registrados nos últimos 30 dias. A Prefeitura, por sua vez, reforçou que análises feitas em diversos pontos do litoral não encontraram a presença da bactéria.

Apesar disso, segundo balanço da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), oito áreas litorâneas da cidade estão classificadas como impróprias para banho — mas isso não tem ligação com o caso da fasciíte necrosante, e sim com critérios de balneabilidade baseados em níveis de coliformes fecais.
Fake news geram prejuízos econômicos
As publicações, além de infundadas, causaram forte retração no turismo local: cancelamentos em hotéis, redução no faturamento do comércio e prejuízo direto para ambulantes, guias e microempreendedores. A situação foi confirmada pela Secretaria de Turismo e pelo Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Ubatuba.
“Trata-se de um ataque à imagem da cidade, com consequências reais para nossa economia. A liberdade de expressão é um direito fundamental, mas não pode ser confundida com o direito de espalhar mentiras que geram medo, insegurança e desemprego”, afirmou o secretário de Assuntos Jurídicos, Álvaro Marton Barbosa Junior.
Medidas judiciais e responsabilidade das plataformas
Nas notificações enviadas ao Google e à Meta, a Prefeitura exige três ações com prazo de até 48 horas:
- Remoção dos conteúdos listados;
- Publicação de nota de retratação;
- Preservação dos dados dos autores das postagens, para possível responsabilização cível e penal.
Caso as plataformas não atendam ao pedido, o Município ingressará com ação judicial, com pedido de tutela de urgência e possível indenização por danos morais coletivos.
A Prefeitura de Ubatuba reafirma que não há surto ou risco generalizado à saúde pública nas praias da cidade e que segue monitorando, com o apoio da Vigilância Epidemiológica Estadual, todas as ocorrências suspeitas com total transparência. A orientação é clara: evitar banhos apenas em locais com sinalização de bandeira vermelha, como indicado pelas autoridades ambientais.
Fonte: Prefeitura de Ubatuba/SP

