Tragédia na Rio-Santos: Espancamento Brutal em Ubatuba Escancara Falta de Segurança e Apoio à Saúde Mental

Homem de 53 anos é espancado até a morte na rodovia Rio-Santos, em Ubatuba. O crime brutal, sem autores identificados, expõe a urgência de políticas públicas de segurança e saúde mental

A rodovia Rio-Santos (SP-55), em Ubatuba (SP), infelizmente voltou a ser manchete, e não foi por suas belezas naturais. Na noite da última sexta-feira (30), um homem de 53 anos morreu após ser brutalmente espancado no acostamento da estrada, por volta das 23h45. O caso foi registrado como homicídio, e até o momento, ninguém foi preso.

Segundo informações do boletim de ocorrência, a vítima teria tido um surto e estaria mexendo em carros e objetos na via. Testemunhas contaram à Polícia Militar que, diante da situação, um grupo de criminosos agrediu violentamente o homem e fugiu logo após o ataque. A vítima sofreu várias pancadas na cabeça, foi socorrida e levada ao pronto-socorro da Maranduba, mas não resistiu aos ferimentos.

A Polícia Civil segue investigando o caso para identificar os autores do crime. Até agora, nenhum suspeito foi preso.

Este caso escancara duas grandes falhas sociais: a insegurança pública e o despreparo para lidar com questões de saúde mental em espaços públicos. A vítima estava em surto, segundo testemunhas — o que exige acolhimento e assistência especializada, não linchamento. Quando um problema de saúde vira motivo para espancamento, temos um alerta gravíssimo: estamos naturalizando a barbárie.

Onde estava o apoio psicológico? Onde estavam o acolhimento e a mediação? A ausência do Estado nessas situações tem gerado justiceiros de ocasião, que decidem pela força bruta e deixam um rastro de violência e impunidade.

Além disso, a Rio-Santos é uma rodovia onde a sensação de insegurança cresce a cada dia. Sem iluminação adequada em vários trechos e com baixo patrulhamento à noite, ela tem se tornado um território sem lei. O episódio trágico da última sexta-feira é reflexo direto desse abandono.

Mais do que buscar os culpados (o que é fundamental), o caso pede uma resposta estruturada:

  • Mais patrulhamento e iluminação na Rio-Santos.
  • Capacitação de agentes públicos para atendimento de ocorrências envolvendo surtos psicológicos.
  • Campanhas de conscientização sobre saúde mental.
  • Valorização da vida em todos os contextos.

Essa morte não pode ser só mais uma estatística.

Roberta Guimarães