Ubatuba vive incerteza: terminal urbano de ônibus é desativado de surpresa e moradores exigem respostas

Terminal de ônibus da Rua Hans Staden, em Ubatuba, foi desativado na noite de 16 de junho sem aviso prévio. População protesta, contratos emergenciais se encerram e futuro do local segue incerto.

Na noite de segunda-feira, 16 de junho, a operação do terminal urbano de ônibus da Rua Hans Staden, no coração de Ubatuba, foi simplesmente interrompida — e nesta terça-feira (17) ele já não funciona mais, segundo relatos de usuários e moradores. A medida pegou todo mundo de surpresa: nem quem depende do transporte coletivo, nem a comunidade, nem os comerciantes locais foram avisados.

De fato, o fim de semana em Ubatuba foi marcado por apreensão e muitas perguntas ainda sem resposta. Uma “Carta Aberta” publicada nas redes sociais acendeu o alerta geral: o tradicional terminal urbano de ônibus, localizado no coração da cidade, pode estar prestes a ser desativado — supostamente para dar lugar à construção de um supermercado. A informação ainda não foi confirmada oficialmente, mas a notícia viralizou rapidamente e gerou revolta entre moradores e usuários do transporte coletivo.

Conhecido há décadas como o “ponto final” dos ônibus municipais, o terminal central é referência para o embarque e desembarque diário de centenas de pessoas. A possibilidade de sua desativação escancarou uma crise já conhecida: a precariedade do transporte público local.

Segundo a carta publicada por moradores e ativistas, a extinção do terminal obrigaria os usuários a embarcar em pontos improvisados e sem infraestrutura — sem abrigo, bancos ou qualquer proteção contra sol e chuva. O texto denuncia ainda que o antigo terminal, atualmente sem manutenção, vem sendo usado como abrigo improvisado por pessoas em situação de rua, revelando falhas tanto na gestão da mobilidade urbana quanto nas políticas de assistência social.

Nenhuma resposta oficial (por enquanto)

Até o momento, nem a Prefeitura nem a Câmara Municipal se manifestaram publicamente. Há rumores de que alguns vereadores teriam visitado a Praça 13 de Maio, que poderia receber provisoriamente os novos pontos de ônibus. Mas até agora, nenhuma medida concreta foi anunciada. Nenhum projeto de lei, edital ou plano alternativo foi apresentado.

A empresa que hoje opera o transporte público — a SOU Ubatuba — atua em regime emergencial desde o rompimento do contrato com a VerdeBus, antiga concessionária do serviço. Desde então, a cidade enfrenta uma série de problemas: atrasos, superlotação, falhas mecânicas e frota em más condições — tanto que, em abril, a SOU Ubatuba chegou a ser autuada pela Prefeitura após fiscalização.

Carta aberta cobra ação do poder público

A “Carta Aberta à População de Ubatuba”, datada de 15 de junho, reforça a cobrança por um transporte público digno. O documento destaca que o serviço segue precário há mais de um ano, operando sem licitação definitiva e com soluções paliativas.

O texto também critica o ritmo lento da Câmara Municipal. Apesar de vereadores terem divulgado vídeos no início do ano prometendo acompanhar o processo licitatório, só na última sexta-feira (13) foi realizada uma sessão extraordinária sobre o tema — e mesmo assim, apenas para aprovar um prazo de 45 dias para o início da licitação.

O trecho mais contundente da carta aponta o contraste entre o alto salário dos vereadores e a falta de resposta prática diante da crise:

“Com salários de R$ 15 mil mensais, espera-se mais que discursos ou vídeos. Espera-se responsabilidade e compromisso com a população”.

Clamor por dignidade e respeito

A mobilização virtual virou um grito coletivo por respeito aos cidadãos que dependem do transporte público para estudar, trabalhar e se locomover. E mais do que isso: a situação do terminal virou símbolo de um sistema que precisa ser reformulado com urgência.

Enquanto a cidade aguarda esclarecimentos oficiais, o que resta é a pressão popular — por mais transparência, planejamento e ação imediata.