Obras do terminal em Ubatuba são suspensas após ação do Ministério Público

Obras do terminal de ônibus na histórica Praça 13 de Maio, em Ubatuba, foram suspensas por falta de licenciamento ambiental, consulta pública e estudos técnicos. Entenda os riscos ambientais, culturais e urbanísticos envolvidos.

O Ministério Público de Ubatuba solicitou à Justiça, através de ação do Instituto Técnico Água Segura, a suspensão imediata das obras do novo terminal de ônibus na Praça 13 de Maio, situada em frente à Biblioteca Municipal Ciccillo Matarazzo. A construção foi considerada irregular por não contar com licenciamento ambiental, Estudo de Impacto Ambiental (EIA), Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), análise de mobilidade urbana ou consulta pública.

A área abriga bens tombados e vegetação nativa, além de ser habitat de fauna local. A obra ocorrida às vésperas de junho colocou em risco o patrimônio cultural, o acesso à Santa Casa, a Biblioteca e a circulação segura de pedestres.

Liminar judicial e reação da prefeitura

A 1ª Vara de Ubatuba determinou em 8 de julho de 2025 a retirada imediata dos tapumes e o impedimento de qualquer intervenção naquele perímetro até que o processo legal seja regularizado. A prefeitura negou oficialmente a criação do terminal, afirmando que o que existe é um ponto de embarque “melhorado”, e entrou com recurso junto ao TJ-SP para contestar a liminar.

Em resumo,o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) deferiu a liminar e determinou:

  • Suspensão imediata das obras;
  • Retirada dos tapumes;
  • Proibição de qualquer nova intervenção até a regularização legal;
  • Estabelecimento de multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento

Em sua defesa, a prefeitura alegou que não se trata de um terminal, mas de uma “melhoria de ponto de embarque/desembarque” já existente.

Contexto e discussões anteriores

Nos últimos meses, Ubatuba enfrenta crescente preocupação quanto ao planejamento urbano e preservação ambiental. Após o fechamento repentino do antigo terminal urbano sem anúncio prévio, queixas de usuários e comerciantes locais surgiram, exemplificando a falta de diálogo prévio . Paralelamente, ações do Ministério Público focam em licenciamento ambiental municipal desde maio, endossadas por legislações federais e descentralização ao Consórcio Ambiental do Vale do Paraíba.

Análise:

1. Ausência de planejamento técnico e consulta pública
Avançar em obra pública sem EIA, EIV ou debate comunitário compromete transparência e democracia urbana — pilares essenciais tanto em áreas urbanas quanto culturais.

2. Proteção de patrimônio histórico e ambiental
Prédios tombados e espécies locais não devem ser substituídos por infraestrutura precária. A praça tem valor simbólico e ambiental, merecendo tratamento compatível com normas de conservação.

3. Mobilidade e funcionalidade urbana em risco
A prefeitura argumenta que é “melhoria”. No entanto, sem estudos de mobilidade, não se sabe se a intervenção realmente beneficia ou prejudica fluxo, trânsito, pedestres ou moradores.

4. Gestão municipal enfrenta desgaste institucional
A negativa da prefeitura e o recurso à Justiça contra liminar revelam falha em reconhecer falhas no processo. O episódio intensifica críticas sobre a falta de visão integrada e participativa na gestão.

5. Caminho correto: retorno e exigência de regularização
A paralisação é medida coerente diante da ilegalidade do processo atual. A retomada das obras só deve ocorrer após:

  • estudos técnicos completos (EIA, EIV, mobilidade);
  • licenciamento ambiental;
  • consulta pública;
  • diálogo com órgãos de cultura, cidadãos e vizinhança.