SpaceX faturou US$ 7,8 bilhões no trimestre e reduziu o prejuízo, mas investimentos em IA e foguetes ainda pressionam o resultado.
A SpaceX cresceu em ritmo acelerado no segundo trimestre de 2026, mas ainda não conseguiu fechar as contas no azul. A empresa de Elon Musk registrou receita de US$ 7,8 bilhões, alta de 92% em comparação com o mesmo período de 2025, e terminou o trimestre com prejuízo líquido de US$ 541 milhões.
O resultado, divulgado em 4 de agosto, foi o primeiro balanço trimestral da SpaceX depois de sua estreia na bolsa Nasdaq, em junho. As ações são negociadas sob o código SPCX.
Embora o prejuízo ainda seja elevado, houve melhora: no segundo trimestre de 2025, a perda havia alcançado pouco mais de US$ 1 bilhão. Em um ano, portanto, a SpaceX reduziu o prejuízo em aproximadamente 46%, ao mesmo tempo que quase dobrou sua receita.
O balanço mostra uma empresa que vende cada vez mais, mas que continua gastando grandes quantias para desenvolver foguetes, ampliar a rede Starlink e avançar no setor de inteligência artificial.

Starlink é o principal motor financeiro
A maior parte da receita veio da área de conectividade, que reúne principalmente os serviços de internet via satélite da Starlink.
Esse segmento faturou US$ 4,29 bilhões entre abril e junho, crescimento de 66% em relação ao mesmo período de 2025. A área também apresentou lucro operacional de US$ 1,65 bilhão.
Na prática, a Starlink é hoje a operação mais rentável da SpaceX. O crescimento foi impulsionado pelo aumento no número de assinantes e pela expansão dos contratos empresariais e governamentais.
A companhia informou ainda ter conquistado mais de US$ 6 bilhões em contratos plurianuais do governo dos Estados Unidos para o Starshield, versão da rede desenvolvida para aplicações governamentais e de defesa.
Inteligência artificial cresce, mas ainda consome recursos
A área de inteligência artificial foi a que mais avançou em receita. O segmento faturou US$ 2,56 bilhões, contra US$ 737 milhões no mesmo período do ano anterior — uma alta de aproximadamente 247%.
Apesar do salto, a divisão terminou o trimestre com prejuízo operacional de US$ 1,25 bilhão.
A inteligência artificial passou a fazer parte diretamente da estrutura da SpaceX depois que a companhia adquiriu a xAI, também controlada por Elon Musk, em fevereiro de 2026.
Essa integração colocou sob o mesmo grupo atividades bastante diferentes: foguetes, satélites, internet, a rede social X e os modelos de inteligência artificial Grok. A estratégia amplia as fontes de receita, mas também aumenta os custos e a complexidade financeira da empresa.
Foguetes continuam estratégicos — e caros
O segmento espacial, que inclui lançamentos e desenvolvimento de veículos como Falcon e Starship, registrou receita de US$ 962 milhões no segundo trimestre.
Mesmo com o avanço das operações, a divisão teve prejuízo operacional de US$ 542 milhões. O resultado reflete os investimentos necessários para testar novos veículos, manter instalações, fabricar equipamentos e buscar a reutilização completa dos foguetes.
Projetos como o Starship podem levar anos para atingir uma operação comercial ampla. Isso significa que a empresa precisa gastar agora na expectativa de obter retorno no futuro — uma aposta que pode trazer resultados elevados, mas que também envolve risco.
Crescimento não significa lucro
Os números da SpaceX ajudam a explicar uma diferença importante para quem acompanha empresas na bolsa: receita não é o mesmo que lucro.
A receita representa quanto a companhia recebeu com suas atividades. O lucro só aparece depois de descontados gastos operacionais, investimentos, juros, impostos e outras despesas.
No caso da SpaceX, a receita cresceu fortemente, mas as despesas com inteligência artificial, foguetes e expansão da infraestrutura ainda impediram um resultado líquido positivo.
Há, porém, sinais de melhora operacional. O prejuízo das operações caiu de US$ 970 milhões para US$ 143 milhões na comparação anual.
A companhia também apresentou Ebitda ajustado de US$ 3,5 bilhões, aumento de 191%. Esse indicador procura mostrar a capacidade de geração operacional de recursos antes de determinadas despesas, mas não substitui o lucro líquido e utiliza critérios ajustados definidos pela própria empresa.
IPO colocou US$ 85,7 bilhões no caixa
A SpaceX abriu capital em junho de 2026, com preço inicial de US$ 135 por ação. Segundo documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, a SEC, a oferta gerou cerca de US$ 85,7 bilhões líquidos para a companhia.
Ao final do segundo trimestre, a empresa informou possuir aproximadamente US$ 100 bilhões entre dinheiro, equivalentes de caixa e aplicações financeiras negociáveis. A carteira de contratos e vendas futuras somava US$ 47,5 bilhões.
Esse volume dá fôlego para financiar projetos de longo prazo. Ao mesmo tempo, aumenta a cobrança do mercado por resultados capazes de justificar o valor atribuído à companhia.
O que o investidor deve observar
O crescimento de 92% da receita chama atenção, mas não conta toda a história. Para avaliar a evolução da SpaceX, será necessário acompanhar outros indicadores:
- redução ou aumento do prejuízo líquido;
- capacidade de controlar as despesas;
- desempenho financeiro da Starlink;
- custos do desenvolvimento do Starship;
- resultado da área de inteligência artificial;
- fluxo de caixa;
- retorno dos investimentos realizados após o IPO.
O segundo trimestre trouxe duas mensagens ao mesmo tempo. A primeira é que a SpaceX está crescendo e conseguiu reduzir significativamente suas perdas. A segunda é que transformar projetos ambiciosos em lucro recorrente ainda será um dos principais testes da companhia.
Para os investidores, a pergunta deixou de ser apenas se a SpaceX consegue crescer. Agora, o mercado também quer saber quanto desse crescimento permanecerá no caixa depois que todas as despesas forem pagas.
Este conteúdo tem finalidade jornalística e educativa e não representa recomendação de investimento.
Fontes consultadas: relatório oficial do segundo trimestre da SpaceX; Formulário 10-Q apresentado pela SpaceX à SEC; página de relações com investidores da SpaceX; registro da oferta pública na SEC

