A porta‑voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou nesta quinta‑feira (8) que Moscou vê como escalada o possível envio de tropas adicionais da OTAN – incluindo forças dos Estados Unidos – para os países bálticos, bem como a criação de infraestrutura militar relevante nesses territórios. Zakharova destacou que tais planos, conduzidos pela administração de Washington, contradizem as declarações de intenção de promover vias diplomáticas e políticas para reduzir a tensão na Europa.
O primeiro‑ministro da Lituânia, Mindaugas Sinkevicius, declarou na terça‑feira (6) que o país está disposto a arcar com os custos da instalação de uma base militar permanente dos EUA, caso Washington concorde em estabelecê‑la em solo lituano. Essa disposição surge no mesmo período em que a Rússia sinaliza preocupação com a ampliação da presença militar ocidental nos Bálticos.
Em paralelo, a Rússia foi acusada de atacar um navio mercante na costa da Bulgária, membro da OTAN, no Mar Negro. Na terça‑feira (6), a tripulação da embarcação foi declarada desaparecida após o afundamento do navio, que ocorreu após um ataque com drones descrito pelo primeiro‑ministro búlgaro, Rumen Radev, como violação flagrante do direito internacional. Não ficou claro se os drones foram lançados de território russo ou ucraniano, embora fontes de navegação indiquem tratar‑se do primeiro ataque desse tipo na zona econômica exclusiva da Bulgária. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou em pronunciamento noturno que uma investigação conjunta com a marinha búlgara apontou a Rússia como responsável, ressaltando que as Forças de Defesa da Ucrânia não realizavam operação naquela área do mar.
Essas declarações ocorrem em um cenário de crescente tensão entre a OTAN e a Rússia, com a Lituânia demonstrando abertura para aprofundar a presença militar americana e a Rússia denunciando a expansão de tropas como provocação. O incidente no Mar Negro eleva as preocupações sobre ataques híbridos na região, enquanto a comunidade internacional acompanha as respostas diplomáticas e militares a esses desenvolvimentos.
Redação JORNAL AGORA
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