Um estudo apresentado no congresso do American College of Surgeons, em Washington, nos Estados Unidos, revelou que pacientes submetidos à remoção do apêndice devido a uma apendicite aguda apresentam um risco 58% menor de desenvolver câncer colorretal na comparação com aqueles tratados exclusivamente com antibióticos. A pesquisa analisou dados de mais de 30 mil pessoas e levantou novas discussões sobre a relação entre o procedimento cirúrgico e o surgimento de tumores no intestino.
Conduzido por pesquisadores do Departamento de Cirurgia da Morehouse School of Medicine, em Atlanta, o levantamento utilizou a base de dados global TriNetX para acompanhar dois grupos distintos de pacientes com apendicite aguda. Do total analisado, 15.616 indivíduos passaram pela apendicectomia, enquanto 15.295 foram tratados com medicamentos. O diagnóstico de câncer colorretal ocorreu em 110 pacientes operados, o equivalente a 0,7%, contra 254 casos entre os tratados apenas com antibióticos, o que corresponde a 1,7% da amostra.
Apesar dos números expressivos, especialistas recomendam cautela na interpretação dos achados. O coloproctologista Danilo Munhóz enfatizou que o caráter retrospectivo da análise impede afirmativas de que a cirurgia seja a causa direta da redução do risco. Além disso, os dados apresentados recentemente ainda necessitam de confirmação por meio de novos estudos científicos, uma vez que investigações anteriores não demonstraram de maneira consistente esse efeito protetor.
A comunidade médica reforça que não há qualquer indicação de cirurgia em apêndices saudáveis com finalidade preventiva, mantendo o tratamento farmacológico como opção viável para casos selecionados. Conforme esclareceu Munhóz, a inflamação no apêndice pode funcionar como o primeiro sinal de um tumor intestinal preexistente não identificado, sobretudo em idosos, pois tumores próximos ao órgão dificultam sua drenagem natural e desencadeiam o quadro inflamatório.
Redação JORNAL AGORA
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