Relação com o Brics divide propostas de Lula e Flávio Bolsonaro

A condução da política externa brasileira tornou-se um dos pontos de divergência entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa eleitoral. Enquanto a proposta petista prevê o aprofundamento das alianças geopolíticas no Brics, a plataforma do senador prioriza a aproximação com os Estados Unidos e defende a saída do Brasil do grupo multinacional.

Criado informalmente em 2001 e formalizado em 2009, o Brics reúne originalmente Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, tendo expandido sua composição para integrar países como Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Irã. Embora não constitua um bloco econômico formal, a parceria auxilia no comércio exterior brasileiro. De janeiro a setembro de 2026, os integrantes fundadores compraram US$ 95 bilhões em exportações brasileiras, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Além disso, a ex-presidente Dilma Rousseff chefia atualmente o Novo Banco de Desenvolvimento do grupo, onde defende a desdolarização das transações comerciais, medida apoiada por Lula.

No plano de governo para um eventual quarto mandato, Lula cita o Brics nominalmente por três vezes e define o grupo como espaço fundamental para a afirmação dos interesses da maioria da humanidade, alinhado à atuação junto ao Sul Global e ao G20. Em contrapartida, a articulação promovida por Flávio Bolsonaro busca reorientar as prioridades diplomáticas brasileiras, priorizando a relação com Washington.

A divergência coloca em debate os rumos da diplomacia e do comércio internacional do país para os próximos anos, expondo visões opostas sobre a inserção geopolítica do Estado brasileiro em blocos e alianças globais.

Redação JORNAL AGORA
Imagens: Divulgação