Projeto Tamar de Ubatuba ajuda a salvar milhares de tartarugas marinhas e se torna referência nacional em conservação

No Dia Mundial das Tartarugas Marinhas, celebrado em 16 de junho, especialistas reforçam a importância da preservação dos oceanos e destacam o trabalho desenvolvido em Ubatuba, responsável por proteger milhares de animais ameaçados de extinção.

Presentes nos oceanos há mais de 100 milhões de anos, desde a época dos dinossauros, as tartarugas marinhas continuam desempenhando um papel fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas marinhos. Apesar de terem sobrevivido a grandes transformações naturais ao longo da história da Terra, hoje enfrentam ameaças causadas principalmente pela ação humana.

A preocupação com a sobrevivência dessas espécies ganha ainda mais relevância no Dia Mundial das Tartarugas Marinhas, comemorado em 16 de junho. A data homenageia o biólogo norte-americano Archie Carr, considerado um dos pioneiros mundiais na pesquisa e conservação desses animais.

Atualmente, seis das sete espécies de tartarugas marinhas existentes no planeta estão classificadas em algum nível de ameaça de extinção. No Brasil, cinco dessas espécies utilizam o litoral para alimentação ou reprodução e são alvo de programas permanentes de proteção.


Ubatuba ocupa posição estratégica na conservação marinha

O município de Ubatuba abriga uma das mais importantes bases do Projeto Tamar no país.

Embora as principais áreas de desova das tartarugas estejam concentradas no Nordeste brasileiro, o litoral paulista desempenha papel essencial durante outra fase da vida desses animais: a alimentação e o desenvolvimento.

Segundo pesquisadores da unidade, as águas do Sul e Sudeste oferecem condições ideais para o crescimento das tartarugas devido à abundância de alimento e às características ambientais da região.

Por isso, muitas espécies permanecem anos no litoral paulista antes de seguir suas rotas migratórias pelo Atlântico.

Essa característica transformou Ubatuba em um dos principais centros brasileiros de pesquisa, monitoramento e conservação das tartarugas marinhas.


Parceria com pescadores reduz mortalidade dos animais

Um dos diferenciais do trabalho desenvolvido em Ubatuba é a integração entre cientistas e comunidades pesqueiras.

Ao longo das últimas décadas, pesquisadores do Projeto Tamar passaram a trabalhar diretamente com pescadores artesanais para identificar formas de reduzir a captura acidental de tartarugas sem comprometer a atividade econômica das famílias que dependem da pesca.

Os estudos revelaram, por exemplo, que cerca de 80% das capturas de tartarugas-verdes ocorrem durante o dia, enquanto boa parte dos peixes é capturada no período noturno.

Com base nessas informações, foram desenvolvidas orientações para o uso das redes em horários mais seguros para os animais.

O resultado é considerado um dos maiores casos de sucesso da conservação marinha brasileira.

Desde a década de 1990, aproximadamente 14 mil tartarugas capturadas acidentalmente foram resgatadas e devolvidas ao mar na região de Ubatuba, graças à cooperação entre pesquisadores e pescadores.


O que ameaça as tartarugas marinhas atualmente?

Apesar dos avanços, diversos fatores continuam colocando em risco a sobrevivência das espécies.

Entre as principais ameaças estão:

Pesca acidental

Redes e equipamentos pesqueiros continuam sendo uma das maiores causas de mortalidade de tartarugas em todo o mundo.

Poluição por plástico

Sacolas, embalagens, linhas de pesca e outros resíduos podem ser confundidos com alimento.

Ao ingerirem plástico, as tartarugas sofrem obstruções intestinais, desnutrição e, em muitos casos, acabam morrendo.

O problema é agravado pela longa permanência desses materiais no ambiente, que podem permanecer décadas ou até séculos nos oceanos.

Mudanças climáticas

O aumento da temperatura interfere diretamente no desenvolvimento dos filhotes.

Nas tartarugas marinhas, a temperatura da areia influencia o sexo dos animais durante a incubação dos ovos.

Alterações climáticas intensas podem provocar desequilíbrios ainda pouco compreendidos pela ciência.

Urbanização das praias

A expansão urbana nas áreas de desova gera outro impacto significativo.

A iluminação artificial próxima às praias pode desorientar filhotes recém-nascidos, que deveriam seguir em direção ao brilho natural do oceano.

Muitos acabam caminhando para áreas urbanizadas, reduzindo drasticamente suas chances de sobrevivência.

Avanços mostram que a conservação funciona

Após décadas de esforços coordenados entre pesquisadores, órgãos ambientais e comunidades locais, a tartaruga-verde apresentou recuperação significativa e deixou recentemente algumas listas de espécies ameaçadas.

Mesmo assim, especialistas alertam que a proteção precisa continuar.

Das cinco espécies encontradas regularmente no Brasil, quatro ainda permanecem ameaçadas de extinção.

A avaliação dos pesquisadores é clara: proteger as tartarugas marinhas significa proteger também a saúde dos oceanos e a qualidade de vida das futuras gerações.

Fonte: Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo