Adolescente entrou em luta corporal com o suspeito e conseguiu retirar uma faca de suas mãos; homem foi preso em flagrante e caso é investigado como tentativa de feminicídio
Um adolescente de apenas 17 anos precisou intervir para proteger a própria mãe durante uma grave ocorrência de violência doméstica em Ubatuba. Segundo informações do boletim de ocorrência divulgadas pela imprensa regional, o jovem entrou em luta corporal com o companheiro da mãe e conseguiu retirar uma faca das mãos dele quando o homem teria avançado contra a mulher.
O caso aconteceu no sábado (3), no bairro Marafunda, e terminou com um homem de 35 anos preso em flagrante. A vítima tem 33 anos.
A ocorrência foi registrada pela Polícia Civil como tentativa de feminicídio, lesão corporal e ameaça no contexto de violência doméstica.
Mais do que uma ocorrência policial, o episódio chama atenção para uma realidade especialmente preocupante: além da mulher submetida à violência, um adolescente acabou colocado diante da necessidade de intervir fisicamente para impedir que a situação tivesse consequências ainda mais graves.

Discussão teria começado por ciúmes
De acordo com as informações atribuídas ao boletim de ocorrência, o homem teria retornado à residência alterado. Uma discussão motivada por ciúmes teria evoluído para agressões.
A mulher relatou que foi atingida com um cabo de vassoura nas mãos e no rosto e, posteriormente, recebeu socos principalmente na região da face e dos olhos.
Foi nesse momento que o filho de 17 anos percebeu o que estava acontecendo e entrou em defesa da mãe.
A vítima posteriormente recebeu atendimento médico e apresentava lesões no rosto.
Adolescente conseguiu retirar faca das mãos do suspeito
A situação teria ficado ainda mais grave pouco depois.
Segundo o registro policial reproduzido pelos veículos que tiveram acesso à ocorrência, o homem teria pegado uma faca e avançado em direção à mulher.
O adolescente novamente interveio.
Ele entrou em luta corporal com o padrasto e conseguiu retirar a faca de suas mãos, interrompendo o ataque. A intervenção do jovem foi considerada um dos elementos centrais para que a ocorrência fosse registrada também como tentativa de feminicídio.
Mesmo após ser desarmado, segundo os relatos, o suspeito ainda teria se apoderado de um facão e feito novas ameaças.
A Polícia Militar foi acionada e, quando chegou ao imóvel, encontrou o homem já contido pelo enteado.

Mulher relatou episódios anteriores de violência
Outro ponto preocupante surgiu no depoimento da vítima.
Segundo informações divulgadas a partir do boletim de ocorrência, ela afirmou que já havia sido agredida anteriormente durante o relacionamento, embora não tivesse registrado ocorrência policial sobre esses episódios.
A mulher solicitou medidas protetivas de urgência.
O relato reforça uma característica frequente e perigosa da violência doméstica: episódios que podem se repetir e aumentar de gravidade ao longo do tempo.
Por isso, ameaças, agressões, controle excessivo, humilhações e intimidações não devem ser tratados simplesmente como “brigas de casal”.
Suspeito negou agressões
Na delegacia, o homem negou ter agredido a companheira.
Ele admitiu, porém, segundo o registro divulgado pela imprensa, que empunhou uma faca durante a ocorrência, alegando que teria feito isso para se defender do adolescente.
O suspeito foi preso em flagrante. A autoridade policial também representou pela conversão da prisão em preventiva. Até as últimas informações públicas localizadas, não havia confirmação de decisão judicial posterior sobre esse pedido.
O caso continua sob investigação e, como ocorre em qualquer procedimento criminal, a responsabilidade definitiva será estabelecida pela Justiça.
Entenda o contexto: quando os filhos também são atingidos pela violência
A intervenção do adolescente provavelmente impediu que a ocorrência tivesse um desfecho ainda mais grave. Mas existe outro aspecto que não pode passar despercebido: um jovem de 17 anos foi colocado diante de uma situação extrema dentro da própria casa.
O enfrentamento à violência doméstica não pode depender de filhos, parentes ou vizinhos enfrentarem fisicamente um agressor.
Em situações de risco imediato, a recomendação oficial é acionar a Polícia Militar pelo 190. Para orientação, acolhimento e denúncia de violência contra a mulher, existe o Ligue 180, serviço gratuito do Governo Federal que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.
Qualquer pessoa que tenha conhecimento de uma situação de violência contra uma mulher pode procurar o Ligue 180 — não apenas a própria vítima.
O que muda para o cidadão
O caso de Ubatuba deixa uma mensagem que vai muito além daquela residência no Marafunda.
Quem presencia ou toma conhecimento de agressões contra uma mulher não precisa esperar que a violência chegue ao extremo para procurar ajuda.
Familiares, amigos e vizinhos podem comunicar situações de violência e buscar orientação. Quando houver agressão acontecendo ou risco imediato à vida, o caminho indicado é o 190.
O mais importante é evitar que uma situação de violência avance até o ponto em que um filho, como ocorreu neste caso, tenha de colocar a própria integridade física em risco para proteger a mãe.
Serviço — onde buscar ajuda
Emergência ou agressão acontecendo: Polícia Militar — 190
Orientação e denúncia de violência contra a mulher: Ligue 180, gratuito e disponível 24 horas.
WhatsApp do Ligue 180: (61) 9610-0180.
Em Ubatuba, o CREAS também oferece acolhimento, acompanhamento psicossocial, orientação e encaminhamento de mulheres em situação de violência. A Prefeitura informa atendimento na Rua Maranhão, 279, Centro, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, pelo telefone (12) 3833-3316.

