Flávio e Lula vão ao segundo turno; PL amplia força no Congresso e abstenção preocupa

São Paulo reelege Tarcísio e define seus representantes no Legislativo; eleitores do Litoral Norte voltarão às urnas apenas para escolher o presidente.

O primeiro turno definiu o governo de São Paulo e os representantes do estado no Legislativo, mas deixou aberta a principal disputa nacional. Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputarão a Presidência em 25 de outubro, após uma votação que também ampliou a bancada do PL na Câmara dos Deputados.

Flávio terminou a apuração com 47,03% dos votos válidos, equivalentes a 56,1 milhões de votos. Lula alcançou 45,16%, ou 53,9 milhões. Como nenhum candidato ultrapassou metade dos votos válidos, a decisão será tomada em uma nova votação.

Para os moradores de Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela, o próximo comparecimento às urnas terá somente a escolha presidencial. Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi reeleito governador no primeiro turno, com 62,65% dos votos válidos, contra 36,42% de Fernando Haddad (PT).

Os principais resultados em São Paulo

Além do governo estadual, os paulistas escolheram dois senadores e renovaram suas representações na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa.

DisputaDestaques do resultado
Governo de São PauloTarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito com 62,65%; Fernando Haddad (PT), segundo colocado com 36,42%.
Senado por São PauloGuilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) foram eleitos, com 30,59% e 29,28%, respectivamente.
Deputados federais por SPLucas Pavanato (PL) liderou com 3.038.438 votos, seguido por Erika Hilton (PSOL), com 1.596.472, e Sâmia Bomfim (PSOL), com 583.107.
Deputados estaduais de SPEduarda Campopiano (PL) foi a mais votada, com 1.956.238 votos; Eduardo Suplicy (PT) recebeu 654.627 e Sofia Favero (PSOL), 407.773.

Os resultados foram divulgados pela Justiça Eleitoral e pela cobertura da apuração.

Para deputados, a votação individual é apenas uma parte da definição das vagas. O sistema proporcional também considera os votos dos partidos e das federações, o que explica por que um candidato com votação expressiva pode ficar fora do Legislativo.

PL cresce, mas o próximo presidente precisará negociar

Segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo, o PL conquistou 121 das 513 cadeiras da Câmara, formando a maior bancada. O PT aparece em segundo lugar, com 70 deputados. www1.folha.uol.com.br

O resultado amplia o peso do PL nas negociações legislativas. Ainda assim, sua bancada, sozinha, não forma maioria. A leitura política é que o vencedor da eleição presidencial precisará construir acordos para aprovar projetos, discutir o orçamento e sustentar sua agenda no Congresso.

Essa composição interessa diretamente ao cidadão: decisões sobre impostos, serviços públicos, educação, saúde e investimentos dependem da relação entre Executivo e Legislativo. Para o Litoral Norte, também importa acompanhar a atuação dos parlamentares na defesa de recursos e políticas para a região.

Apoios entram na disputa do segundo turno

A corrida agora passa pela tentativa de conquistar eleitores que escolheram outros candidatos, votaram em branco ou nulo ou não compareceram.

Nesta segunda-feira (5), a federação União Brasil–PP sinalizava apoio a Flávio Bolsonaro, com formalização ainda prevista para discussão em reunião na terça-feira (6). O PSD decidiu liberar seus filiados, enquanto Augusto Cury declarou que não apoiaria nenhum dos dois finalistas.

Essas posições podem mudar durante as negociações. Além disso, apoio de dirigentes não significa transferência automática dos votos de seus eleitores. As campanhas terão de apresentar argumentos para ampliar suas bases até 25 de outubro.

Fama não garantiu eleição

A votação também deixou personalidades conhecidas fora das vagas disputadas. Datena, Geraldo Luís, Silvia Abravanel, Humberto Martins e Manoel Gomes, o Caneta Azul, estão entre os nomes que não foram eleitos, segundo levantamento da Folha.

Tiririca, que concorreu a deputado federal pelo Ceará após quatro mandatos por São Paulo, também não conseguiu se eleger. O resultado mostra que reconhecimento público e presença nas redes sociais não asseguram uma cadeira.

Abstenção, brancos e nulos: milhões ficaram fora da escolha

Em São Paulo, 22,5% do eleitorado não compareceu, aproximadamente 7,6 milhões de pessoas. A taxa superou os 21,6% registrados no estado em 2022, conforme o TRE-SP.

Na disputa para governador, os votos brancos representaram 5,11% e os nulos, 7,3%. Para deputado federal, foram 5,9% de brancos e 4,3% de nulos; para deputado estadual, 7% e 4,6%, respectivamente.

No balanço nacional divulgado pela Agência Senado, com 99,97% das urnas apuradas, a abstenção era de 21,08%. Na votação presidencial, 1,84% dos votos foram brancos e 2,93%, nulos.

Esses percentuais têm bases diferentes: a abstenção considera o eleitorado apto; brancos e nulos são calculados sobre os votos registrados para cada cargo. Portanto, não devem ser simplesmente somados.

Também é importante desfazer um boato recorrente: votos brancos e nulos não anulam a eleição nem são destinados ao candidato que está na frente. A definição do vencedor considera os votos válidos.

O que vem a seguir — e como se preparar

Até o segundo turno, os candidatos buscarão novos apoios e intensificarão a apresentação de propostas. A vantagem obtida no primeiro turno não garante o resultado da próxima votação.

Para o eleitor, a preparação deve começar pela comparação das propostas e pela verificação das informações recebidas:

  • Compare compromissos concretos: observe propostas para custo de vida, emprego, saúde, educação e segurança, incluindo como seriam financiadas e executadas.
  • Confira antes de compartilhar: procure a publicação original, a data e o contexto de vídeos, falas e documentos.
  • Diferencie proposta de boato: mensagens alarmistas e conteúdos sem fonte exigem verificação.
  • Organize o comparecimento: consulte o local de votação e planeje o deslocamento com antecedência.
  • Respeite a escolha dos demais: divergência política não justifica ameaça, constrangimento ou exposição do voto.

Quem faltou somente ao primeiro turno pode votar no segundo, desde que esteja apto. A ausência anterior deve ser regularizada separadamente; votar em 25 de outubro não substitui a justificativa do dia 4.