Alerta e esclarecimentos sobre a “bactéria comedora de carne” em Ubatuba

A morte de um homem de 30 anos em Ubatuba, no fim de abril, causou grande comoção e levantou preocupações entre moradores e turistas. O pai da vítima, Domício Silvestre Gomes, relatou na tribuna da Câmara Municipal que o filho, marinheiro, teria contraído a temida bactéria Fasceíte Necrosante – conhecida como “bactéria comedora de carne” – após mergulhos na praia do Perequê-Mirim, onde trabalhava.

Segundo o relato emocionado de Domício, a infecção teria começado com sintomas em 22 de abril. O filho buscou atendimento médico na Santa Casa no dia 25, retornou no dia 27 e veio a falecer no dia seguinte. Ele atribui a contaminação à possível presença de esgoto lançado nos rios da região, que deságuam diretamente no mar.

A denúncia gerou comoção e mobilizou órgãos públicos. A Sabesp, em nota, lamentou a perda e afirmou que colaborará com as investigações. Destacou ainda que está investindo R$ 45,7 milhões em obras de esgotamento no Perequê-Mirim e que, até 2026, toda a estrutura estará concluída. Para todo o município de Ubatuba, estão previstos R$ 593 milhões em investimentos até 2029.

Já a Prefeitura de Ubatuba se pronunciou nas redes sociais, esclarecendo que não há até o momento evidências laboratoriais de que a contaminação tenha sido causada pela água do mar ou por esgoto, tampouco há registros de outros casos similares. O caso segue sendo monitorado pelas autoridades de saúde, e a Comissão de Verificação de Óbitos acompanha o processo. A prefeitura reforçou o compromisso com a transparência e o diálogo com a população, além de alertar sobre o cuidado com boatos nas redes sociais.

Segundo dados da Cetesb, em 2024, a praia do Perequê-Mirim foi considerada imprópria para banho em nove das 19 semanas avaliadas até o momento. A companhia ainda não comentou oficialmente sobre o caso, mas recomenda que a população evite praias classificadas como impróprias e não entre no mar logo após chuvas fortes.

Entenda a bactéria

De acordo com o médico e biólogo Pedro Norberto dos Santos, de Caraguatatuba, a bactéria Vibrio vulnificus é comum em águas costeiras mais quentes (maio a outubro) e pode provocar infecções graves, especialmente em pessoas com feridas abertas ou tatuagens recentes. Também pode ser contraída pela ingestão de frutos do mar crus, como ostras. A bactéria se alimenta de ferro no organismo e avança rapidamente, mas responde bem a tratamentos com antibióticos — desde que iniciados rapidamente.

Como se previnir:

  • Evite entrar em águas salobras ou marinhas se tiver feridas abertas
  • Cubra cortes ou lesões com curativos à prova d’água ao nadar
  • Não consuma frutos do mar crus ou mal cozidos, especialmente ostras
  • Mantenha uma boa higiene, lavando feridas com água e sabão

A discussão reacende a necessidade urgente de melhorias no saneamento básico em Ubatuba — onde, segundo o IBGE (2022), mais da metade da população ainda não tem acesso à coleta e tratamento de esgoto. Para moradores como Domício, além de respostas, é preciso ação concreta para que tragédias assim não se repitam.

A situação segue em investigação. Enquanto isso, fica o alerta: informação correta, cuidado redobrado e cobrança por melhorias são fundamentais.