Levantamento mostra disputa apertada na principal simulação de segundo turno, enquanto presidente e vice são chamados a responder a acusação apresentada pelo Novo.
A campanha presidencial começou oficialmente, e os primeiros números desta nova fase mostram uma eleição aberta e com tendência de forte polarização. Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira, 17 de agosto, coloca Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente no primeiro turno, mas tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro (PL) em uma eventual decisão.
O levantamento chega no mesmo momento em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permite o prosseguimento de uma ação apresentada pelo Partido Novo contra Lula e o candidato a vice, Geraldo Alckmin (PSB). O processo questiona o desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval de 2026, dedicado à trajetória pessoal e política do presidente.
São dois acontecimentos diferentes. A pesquisa mede a preferência dos eleitores naquele momento; a ação judicial examinará se houve irregularidade eleitoral. Nenhum deles, isoladamente, define o resultado das urnas.
Lula tem 41% e Flávio Bolsonaro aparece com 36%
Na pesquisa estimulada para o primeiro turno, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Lula registra 41% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro aparece em segundo lugar, com 36%.
Os demais candidatos ficam distantes dos dois primeiros:
- Lula (PT): 41%
- Flávio Bolsonaro (PL): 36%
- Ronaldo Caiado (PSD): 5%
- Renan Santos (Missão): 4%
- Romeu Zema (Novo): 4%
- Samara Martins (UP): 1%
- Augusto Cury (Avante): 1%
Brancos, nulos e eleitores que não souberam responder somam 7%.
Na pesquisa espontânea, em que nenhum nome é apresentado, Lula aparece com 38%, contra 29% de Flávio Bolsonaro. Renan Santos tem 3%, Ronaldo Caiado registra 2% e Romeu Zema, 1%. Os indecisos representam 17%.
Outro dado indica maior consolidação das escolhas: entre os entrevistados que apontaram algum candidato, 78% disseram que a decisão já está tomada, enquanto 20% admitiram a possibilidade de mudar de voto até a eleição.

Segundo turno tem disputa apertada
A pesquisa testou quatro diferentes cenários de segundo turno. Lula aparece numericamente à frente em todos, mas a distância varia de acordo com o adversário.
No confronto mais provável a partir dos números do primeiro turno, Lula tem 47%, e Flávio Bolsonaro, 44%. Como a diferença está dentro da margem de erro, os dois estão tecnicamente empatados.
Nos demais cenários:
- Lula 45% x 42% Ronaldo Caiado
- Lula 46% x 41% Romeu Zema
- Lula 47% x 36% Renan Santos
Os resultados mostram que a vantagem do presidente é mais confortável diante de Renan Santos. Contra Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado, o cenário permanece mais apertado.
A pesquisa ouviu 2.003 eleitores por telefone, nas 27 unidades da Federação, entre os dias 14 e 16 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no TSE sob o número BR-03317/2026. (Nexus)
Os números representam um retrato do momento em que as entrevistas foram feitas. Pesquisa eleitoral não é previsão do resultado e pode mudar conforme a campanha avance, os candidatos apresentem propostas e novos acontecimentos influenciem a decisão dos eleitores.
Ação questiona desfile dedicado a Lula
Em outra frente da corrida eleitoral, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira, admitiu o processamento de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) apresentada pelo Novo contra Lula e Alckmin.
A ação questiona o desfile da Acadêmicos de Niterói, realizado em 15 de fevereiro, na Marquês de Sapucaí. A escola apresentou o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que contou a trajetória do presidente desde a infância até sua atuação política.
Segundo o Novo, a apresentação teria funcionado como promoção eleitoral de Lula, que buscava a reeleição, com grande exposição na televisão e nas plataformas digitais.
O partido também afirma que a escola recebeu R$ 9,65 milhões em recursos públicos provenientes dos municípios de Niterói e do Rio de Janeiro, do governo estadual e da Embratur. Esse valor e a interpretação sobre a finalidade eleitoral integram as alegações do autor da ação e ainda serão analisados no processo.
Ao permitir o prosseguimento do caso, Antonio Carlos Ferreira entendeu que os fatos narrados podem, “em tese”, caracterizar abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação. Lula e Alckmin deverão ser citados para apresentar defesa no prazo de cinco dias. (CNN Brasil)
Prosseguimento da ação não significa condenação
A decisão do corregedor não reconhece que Lula ou Alckmin cometeram irregularidade. Neste momento, o TSE apenas considerou que a acusação possui elementos suficientes para ser processada e submetida à defesa, à produção de provas e ao julgamento.
Durante a controvérsia no Carnaval, representantes do governo argumentaram que os recursos foram distribuídos às escolas de samba e não estavam vinculados à escolha dos enredos. A Acadêmicos de Niterói também defendeu a liberdade artística e afirmou que a apresentação contava a trajetória de uma personalidade brasileira, sem finalidade eleitoral. (Reuters)
A AIJE é utilizada para investigar situações que possam comprometer a igualdade entre os candidatos, como abuso de poder econômico, abuso de autoridade ou uso indevido dos meios de comunicação. Segundo o próprio TSE, somente se uma ação desse tipo for julgada procedente poderão ser aplicadas consequências como inelegibilidade ou cassação de registro ou diploma, conforme as circunstâncias e as responsabilidades comprovadas. (TSE)
Portanto, Lula e Alckmin continuam candidatos normalmente. O impacto político da ação pode surgir antes do julgamento, ao alimentar o debate público e os discursos de campanha; o efeito jurídico, porém, dependerá das provas, das defesas e de uma decisão sobre o mérito.
O que os dois fatos revelam sobre a eleição
A pesquisa mostra que Lula inicia a fase oficial da campanha com vantagem no primeiro turno, mas sem distância confortável no confronto direto com Flávio Bolsonaro. O candidato do PL, por sua vez, concentra a maior parte do eleitorado de oposição e aparece muito à frente dos outros concorrentes.
Já a ação no TSE demonstra que a disputa também será travada no campo jurídico. Atos públicos, uso de recursos estatais, exposição nos meios de comunicação e possíveis vantagens eleitorais deverão receber atenção permanente dos partidos e da Justiça Eleitoral.
Para o eleitor, o mais importante será distinguir pesquisa de resultado, acusação de condenação e discurso político de fato comprovado. A campanha começou — mas a decisão continuará nas mãos das urnas.

