Primeiro levantamento do município ouvirá trabalhadores e usuários de ao menos dez equipamentos; relatório será apresentado em dezembro.
Onde estão as famílias mais vulneráveis de Ubatuba? Quais serviços funcionam bem — e quais necessidades ainda não recebem atendimento? Pela primeira vez, o município começou a produzir um levantamento amplo para responder a essas perguntas e orientar as políticas públicas de assistência social.
O trabalho para a elaboração do primeiro Diagnóstico Socioterritorial da Assistência Social de Ubatuba começou na sexta-feira, 14 de agosto, sob a coordenação da Vigilância Socioassistencial. A previsão é realizar dez encontros durante agosto e setembro, com participação de trabalhadores e usuários da rede.
A iniciativa passará por pelo menos dez equipamentos, começando pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). O levantamento também envolverá os Centros de Referência de Assistência Social (Cras), serviços de acolhimento e outras unidades da rede.
Um retrato das necessidades de cada território
O diagnóstico deverá identificar os serviços e benefícios disponíveis em Ubatuba, além de situações de desproteção, violência, violações de direitos e demandas que ainda não são atendidas.
Na prática, o município pretende construir um retrato mais detalhado das condições de vida da população. O levantamento poderá revelar, por exemplo, quais territórios precisam de maior atenção e onde os serviços existentes necessitam de reforço ou reorganização.

Segundo a secretária municipal de Assistência Social, Silvia Issa, as informações ajudarão a definir prioridades e orientar a aplicação dos recursos públicos.
“Com o diagnóstico em mãos, o município consegue tomar decisões bem informadas. Ele mostra o que é prioridade, ajuda a organizar os serviços da prefeitura e garante que o dinheiro do orçamento seja gasto do jeito certo”, afirmou.
A elaboração desse tipo de diagnóstico faz parte do planejamento previsto pelo Sistema Único de Assistência Social (SUAS). A norma nacional determina que os municípios conheçam as vulnerabilidades de seus territórios, a demanda da população e a capacidade da rede de atendimento antes de definir prioridades e organizar os serviços.
Usuários também participarão do levantamento
O primeiro encontro discutiu demandas não atendidas, qualidade dos serviços, dificuldades encontradas pelas equipes e pontos positivos da rede socioassistencial.
A participação dos beneficiários é uma etapa importante porque permite que o diagnóstico vá além dos números administrativos. As pessoas que utilizam os serviços poderão contribuir com suas experiências e indicar necessidades percebidas no cotidiano.
Depois dos encontros, as informações serão organizadas em um relatório. A Prefeitura de Ubatuba prevê publicar e apresentar o diagnóstico em dezembro de 2026.
O que pode mudar para o cidadão?
O diagnóstico não representa a criação imediata de novos benefícios ou unidades. Ele funcionará como uma base técnica para que o município defina onde e como agir.
Com os dados reunidos, a administração poderá avaliar:
- quais regiões apresentam maior vulnerabilidade social;
- quais serviços têm procura superior à capacidade de atendimento;
- quais demandas ainda não são atendidas;
- onde existem situações recorrentes de violência ou violação de direitos;
- quais equipamentos precisam ser ampliados ou reorganizados;
- como distribuir melhor os recursos da assistência social.
De acordo com o sociólogo da Secretaria de Assistência Social, Uirá de Freitas, a intenção é concluir o trabalho ainda neste ano para fortalecer a execução do Plano Municipal de Assistência Social em 2027.
O resultado mais importante virá depois da apresentação do relatório: transformar as informações coletadas em ações capazes de aproximar os serviços públicos das necessidades reais de cada bairro e comunidade de Ubatuba.

