Empresas brasileiras buscam assessoria para migrar ao Paraguai após eleição

A consultoria especializada Frontexa registrou um aumento expressivo no interesse de empresas brasileiras por investimentos e transferência de operações para o Paraguai logo após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil. Nas primeiras 48 horas seguintes à apuração oficial, a empresa recebeu 25 pedidos de atendimento de potenciais clientes interessados em avaliar alternativas de produção e estruturação tributária no país vizinho, volume que representa um quarto de toda a procura acumulada ao longo dos nove meses anteriores.

Entre janeiro e setembro do mesmo ano, cerca de 100 companhias haviam entrado em contato com a consultoria para consultar viabilidades de atuação em território paraguaio. De acordo com a executiva e fundadora da empresa, Suelen Raizer, o cenário pós-eleitoral acelerou processos de tomada de decisão que originalmente estavam previstos para ciclos futuros. As principais preocupações apresentadas pelos empresários envolvem custos operacionais de produção, incertezas quanto à reforma tributária, impacto dos encargos trabalhistas e garantias de previsibilidade para investimentos de longo prazo.

O movimento do setor corporativo acompanhou uma forte elevação nas buscas da população por informações sobre o país vizinho nas plataformas digitais. Dados do Google Trends apontam que as pesquisas pelo termo sobre como morar no Paraguai registraram crescimento de 1.700% logo após a divulgação do resultado das urnas. Consultas relacionadas a vagas de emprego, custo de vida, aluguel de residências e valor do salário mínimo local também registraram alta no mesmo período. A aversão ao risco no mercado financeiro provocou forte oscilação nos indicadores econômicos nacionais, com alta nas taxas de juros futuros, valorização do dólar para R$ 5,40 e queda expressiva no índice da Bolsa de Valores.

O interesse pelo Paraguai consolida uma tendência observada ao longo dos últimos anos. Levantamentos do setor indicam que, desde 2007, mais de 230 empresas brasileiras migraram suas estruturas produtivas para operar no país vizinho respaldadas pelo regime de maquila, mecanismo que oferece incentivos fiscais e operacionais. Esse contingente representa aproximadamente 70% do total de companhias estrangeiras instaladas no território paraguaio sob essa modalidade contratual até o momento.

Redação JORNAL AGORA
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