Andy Burnham, primeiro‑ministro do Reino Unido desde julho, declarou em entrevista ao podcast “The Rest Is Politics” que houve interferência da Rússia no referendo de 2016 que decidiu a saída do país da União Europeia. Burnham afirmou ter perguntado ao chegar à Downing Street se havia influência russa e recebeu resposta afirmativa, embora não tenha detalhado quais evidências sustentam a afirmação.
A declaração marca a primeira vez que um primeiro‑ministro britânico reconhece publicamente a existência de interferência russa em um processo eleitoral interno. O referendo, concluído em junho de 2016, resultou em 52% a favor da saída da UE, mergulhando o país em sua maior crise política desde a Segunda Guerra Mundial. Burnham, que já sugeriu a possibilidade de um futuro retorno à União Europeia, também alertou eleitores da França e da Alemanha sobre tentativas apoiadas por Moscou de influenciar suas políticas.
O secretário adjunto das Relações Exteriores, Stephen Doughty, esclareceu que não há evidências de que a Rússia tenha conseguido interferir com sucesso no referendo, afirmando que “eles não tiveram sucesso”. Um porta‑voz do governo reiterou que o resultado do Brexit é considerado legítimo. A embaixada russa em Londres não respondeu a pedidos de comentário, e a Rússia já havia negado anteriormente qualquer envolvimento, descrevendo as alegações como histeria antirussa.
A afirmação de Burnham contrasta com a posição anterior de Boris Johnson, que em 2020 declarou não existir evidência de interferência russa. Nigel Farage, um dos principais defensores do Brexit, acusou Burnham de mentiroso e de ter “ideias bizarras”. O debate sobre a veracidade das alegações pode influenciar a percepção pública sobre a integridade dos processos eleitorais no Reino Unido e nas democracias europeias.
Redação JORNAL AGORA
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