“Meninos e Meninas”: como Renato Russo cantou e falou sobre bissexualidade

Se em 2026 a bissexualidade ainda é tratada como tabu, imagine em 1989, quando Renato Russo , cuja morte completa 30 anos neste domingo (11), abordou livremente o assunto na canção ” Meninos e Meninas “, que fez parte do álbum “As Quatro Estações”, lançado no mesmo ano pela banda Legião Urbana .

A letra — composta em parceria com Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá — retrata de forma leve a descoberta de mais uma preferência em sua sexualidade e a dificuldade de se inserir no mundo, que a maioria dos jovens também sente.

“Quero me encontrar, mas não sei onde estou / Vem comigo procurar algum lugar mais calmo / Longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita / Tenho quase certeza que eu não sou daqui / Acho que gosto de São Paulo e gosto de São João / Gosto de São Francisco e São Sebastião / E eu gosto de meninos e meninas / Vai ver que é assim mesmo e vai ser assim pra sempre / Vai ficando complicado e ao mesmo tempo diferente…”.

Não demorou para que questionamentos sobre sua sexualidade ficassem ainda mais latentes na mídia. O envolvimento com mulheres estava presente em outra canção , ” Ainda é Cedo “, presente no álbum de 1985. “Uma menina me ensinou / Quase tudo que eu sei / Era quase escravidão / Mas ela me tratava como um rei”.

Renato decidiu falar abertamente sobre o assunto em entrevista à edição 116 da revista “Bizz”, que chegou às bancas em março de 1995 — um ano e oito meses antes de sua morte aos 36 anos por broncopneumopatia, septicemia e infecção urinária, consequências do contágio pelo vírus HIV.

“Eu estava precisando me assumir havia muito tempo. Mas fica aquela coisa, filho de católico, ‘você é doente’, etc. Sei que sou assim desde os 3, 4 anos”, revelou, na ocasião. A maneira como descreve a descoberta na música gerou identificação com milhares de jovens ao longo das últimas décadas.

Em 2021, a irmã, Carmen Teresa Manfredini, confirmou a bissexualidade do astro em entrevista à Agência Brasil. “Meu irmão era, na verdade, bissexual. Essa impressão foi inclusive corroborada pelo psiquiatra dele, de que o Renato queria, até do ponto de vista artístico, levantar a bandeira em favor da liberdade de as pessoas serem o que quiserem ser”.

Na mesma entrevista, o amigo Marcelo Beré foi além. “Renato sempre falava que era pansexual, e que transava com a natureza, com o rio, com homem e mulher ou com tudo que despertasse nele o tesão pela vida e por estar aqui e agora. Nunca tive problema nenhum com as opções que ele fez da vida. Desde qu

Redação JORNAL AGORA
Imagens: Divulgação