O mercado financeiro passou a considerar mais provável uma mudança na condução das contas públicas e na relação entre os Poderes depois do primeiro turno da eleição presidencial, avaliou José Márcio Camargo, economista‑chefe da Genial Investimentos, em entrevista por videoconferência ao Poder360 na quarta‑feira, 7 de outubro de 2026.
Camargo atribui a essa reavaliação ao desempenho do Partido Liberal (PL) e de outras siglas de direita no Congresso, sobretudo no Senado, que elevou a expectativa de aprovação de reformas fiscais. Antes da votação, havia receio de que uma vitória de Flávio Bolsonaro sem apoio suficiente no Legislativo dificultasse as mudanças defendidas por sua campanha. O economista também observou que o candidato do PL demonstrou maior preocupação com o ajuste fiscal do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo o especialista, as expectativas sobre as contas públicas se somam às perspectivas de alterações na relação entre os Poderes, especialmente com o Supremo Tribunal Federal. Por isso, o mercado está precificando essa mudança institucional, e não apenas a questão fiscal. A ausência de um programa econômico detalhado de Flávio não impediu a reação positiva dos investidores ao resultado eleitoral. Camargo ressalta que será crucial o presidente eleito apresentar propostas concretas para as contas públicas nos primeiros meses de mandato, a fim de sustentar a confiança dos investidores.
Em síntese, a precificação de mudança institucional reflete um otimismo ampliado quanto a reformas fiscais e à dinâmica entre Executivo, Legislativo e Judiciário, mas a efetivação dependerá das propostas apresentadas e das negociações posteriores com o Congresso e o STF.
Redação JORNAL AGORA
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