Trump pede isolamento econômico do Irã na ONU, mas prevê acordo após eleições nos EUA

Em meio à tensão no Estreito de Ormuz, presidente americano endureceu o discurso; autoridades iranianas sinalizaram abertura para negociar.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu que outros países ajudem a impor o isolamento econômico do Irã durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22 de setembro), em Nova York. Ao mesmo tempo, afirmou acreditar que um acordo com Teerã poderá ser alcançado depois das eleições legislativas americanas de novembro. A Assembleia iniciou nesta terça seu debate geral anual.

A fala ocorre enquanto a circulação de navios pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo e gás, permanece no centro da disputa. Trump defendeu a pressão internacional sobre o Irã e voltou a afirmar que não permitirá que o país desenvolva armas nucleares. Suas declarações sobre o programa nuclear iraniano são posições do governo americano, não uma constatação independente apresentada no discurso.

Pressão pública e possibilidade de negociação

Embora tenha previsto um futuro acordo, Trump não anunciou a retomada das negociações durante a reunião da ONU. Seu discurso incluiu uma ameaça de destruir a República Islâmica caso não haja entendimento — uma declaração do presidente americano, não o anúncio de uma nova operação militar.

Segundo informações da Reuters publicadas pela CNN Brasil, uma autoridade iraniana afirmou que Teerã poderia reabrir Ormuz ao transporte marítimo em até sete dias se os Estados Unidos reduzissem a pressão militar e suspendessem o bloqueio aos portos iranianos. Trata-se de uma proposta condicionada, sem acordo anunciado entre os países.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, também sinalizou abertura a conversas que tenham perspectiva de produzir resultados. As posições indicam que a via diplomática segue em discussão, apesar do tom de confronto adotado por Trump na ONU.

Por que Ormuz importa

O Estreito de Ormuz liga produtores de petróleo e gás do Golfo às rotas marítimas internacionais. Restrições à passagem de navios podem afetar o abastecimento e os preços da energia em vários países. Para o Brasil, um eventual efeito sobre combustíveis dependeria, entre outros fatores, da duração da crise e do comportamento do mercado internacional; não há, nesta notícia, anúncio de mudança nos preços ao consumidor.

Os próximos passos dependem das decisões de Washington e Teerã e das possíveis mediações regionais. Por enquanto, há declarações públicas sobre pressão econômica e negociação, mas nenhum novo acordo confirmado.