Estudantes transformaram personagens de Shakespeare e Machado de Assis em ponto de partida para discutir direitos e cidadania.
Duas personagens separadas por séculos e estilos literários ajudaram estudantes de São Sebastião a discutir um problema ainda presente na sociedade: a violência contra a mulher. O projeto rendeu à Escola Municipal Prof.ª Luiza Helena de Barros o primeiro lugar em um concurso nacional de incentivo à leitura.
O trabalho “Ecos de Desdêmonas e Capitus: Literatura e teatro como defesa da vida” venceu o XIII Concurso Nacional de Projetos Escolares de Incentivo à Leitura Professor Electro Bonini. A premiação ocorreu na quinta-feira, 3 de setembro, durante a 25ª Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto.
A proposta reuniu leitura, pesquisa, teatro e argumentação para aproximar os estudantes de temas como relações de poder, violência contra a mulher, direitos e responsabilidade coletiva.
Desdêmona e Capitu conduziram o debate
As discussões partiram de duas personagens conhecidas da literatura: Desdêmona, de Otelo, obra de William Shakespeare, e Capitu, de Dom Casmurro, de Machado de Assis.
Em Otelo, o ciúme e a manipulação conduzem a história de Desdêmona a um desfecho violento. Em Dom Casmurro, a trajetória de Capitu é contada pelo olhar de Bentinho, marcado pela dúvida, pelo ciúme e por interpretações que atravessam gerações de leitores.
Dentro da escola, as duas personagens serviram como ponto de partida para refletir sobre silenciamentos, julgamentos, relações de poder e formas de violência presentes na sociedade contemporânea.
O projeto foi desenvolvido sob orientação da professora Kaylla Ariane Prado Barros Araújo e integrou diferentes iniciativas educacionais e institucionais.

Júri simulado levou conhecimento jurídico à escola
A experiência começou a partir de uma proposta do programa OAB Vai à Escola, que apresentou aos estudantes o debate sobre violência contra a mulher por meio de um júri simulado.
A atividade cresceu dentro da unidade escolar e passou a incorporar leitura, interpretação das obras, pesquisa, construção de argumentos e apresentações teatrais.
Durante o trabalho, os alunos assumiram diferentes papéis, organizaram suas posições e participaram do julgamento simulado. Dessa forma, conteúdos literários deixaram as páginas dos livros e passaram a orientar uma discussão concreta sobre direitos, cidadania e prevenção da violência.
A iniciativa reuniu a rede municipal de ensino, a 136ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Sebastião, o Judiciário e a Defensoria Pública.
Reconhecimento ultrapassa a premiação material
Pelo primeiro lugar, a equipe recebeu um televisor de 55 polegadas e um notebook. O principal resultado, porém, está no reconhecimento nacional de uma experiência construída dentro da escola pública de São Sebastião.
A proposta mostra como literatura e teatro podem ajudar os estudantes a interpretar não apenas obras clássicas, mas também conflitos e desigualdades presentes na vida real.
Ao transformar os alunos em leitores, pesquisadores, atores e construtores de argumentos, o projeto aproximou educação, conhecimento jurídico e expressão artística. O trabalho também reforçou o papel da escola na formação de jovens capazes de reconhecer situações de violência e compreender a importância da proteção à vida e aos direitos das mulheres.
A premiação foi promovida durante a Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto. O concurso Professor Electro Bonini reconhece projetos escolares que incentivam a leitura e ampliam a participação dos estudantes.
Fontes consultadas: Prefeitura de São Sebastião, organização do Concurso Professor Electro Bonini
