Inundações no Nepal e Tibete deixam mais de 360 mortos e 1,4 mil desaparecidos

Equipes enfrentam estradas destruídas, lama e risco de novas cheias enquanto procuram sobreviventes na fronteira do Himalaia.

Uma tragédia de grandes proporções atingiu comunidades na fronteira entre o Nepal e a região chinesa do Tibete. Inundações repentinas provocadas pelo colapso de uma geleira deixaram ao menos 362 mortos e mais de 1,4 mil desaparecidos, segundo balanços divulgados nesta quinta-feira (27). Os números ainda podem mudar à medida que as buscas avançam.

A força da água, misturada a gelo, pedras, lama e outros detritos, arrastou casas, pontes, estradas e veículos. Vilarejos inteiros foram atingidos em poucos minutos, deixando centenas de famílias desabrigadas e comunidades isoladas nas montanhas.

Buscas enfrentam cenário de destruição

Helicópteros e equipes terrestres trabalham na localização de sobreviventes e no transporte de alimentos, medicamentos e outros suprimentos. O acesso às áreas mais afetadas, no entanto, é dificultado pela destruição das estradas e pela interrupção dos serviços de energia e comunicação.

Entre os desaparecidos estão moradores, trabalhadores, turistas estrangeiros e peregrinos que percorriam a rota entre Catmandu e Lhasa, próxima ao Monte Kailash, considerado sagrado por diferentes tradições religiosas.

Em meio à dimensão da tragédia, o sofrimento humano exige respeito. Famílias aguardam notícias de parentes enquanto sobreviventes tentam recuperar documentos, roupas e poucos objetos entre a lama. Cada número divulgado representa uma vida interrompida ou alguém que ainda está sendo procurado.

Autoridades alertam para novas inundações

As autoridades do Nepal e da China mantêm alertas para o risco de novas cheias. Lagos formados pelo bloqueio de rios com pedras e detritos podem se romper, ameaçando moradores, viajantes e até as próprias equipes envolvidas nos resgates.

As primeiras análises indicam que o desastre começou após o desprendimento de uma grande massa de gelo e rochas na região montanhosa. Cientistas investigam as causas do colapso e avaliam a possível influência do aquecimento global, que acelera o derretimento das geleiras e pode tornar as encostas do Himalaia mais instáveis. Especialistas, porém, alertam que ainda é cedo para atribuir o episódio exclusivamente às mudanças climáticas.

Neste momento, a prioridade permanece sendo encontrar sobreviventes, retirar moradores das áreas de risco e levar assistência às comunidades atingidas.

Fontes consultadas: Reuters, Associated Press, autoridades do Nepal e da China.