Casa da Farinha recebe, em 22 de agosto, a pré-estreia gratuita de documentário sobre comunidades caiçaras e quilombolas.
Histórias transmitidas entre gerações, lembranças do território e saberes preservados pela comunidade chegarão à tela no sábado, 22 de agosto. A Casa da Farinha, no Quilombo da Fazenda, em Ubatuba, receberá a pré-estreia gratuita do documentário “Da Fazenda da Caixa ao Quilombo da Fazenda”, dirigido por Moacyr Pinto.
Com 1 hora e 56 minutos de duração, a produção independente reúne depoimentos de 20 pessoas nascidas ou criadas em comunidades caiçaras e quilombolas como Trindade, Camburi e Fazenda da Caixa. O horário da sessão não foi informado no material de divulgação.
Mais do que revisitar o passado, o filme registra experiências, conquistas e transformações que ajudam a compreender a trajetória das comunidades tradicionais do extremo norte de Ubatuba.
Vozes que ajudam a contar a história do território
As entrevistas foram gravadas entre 2025 e 2026. Nos relatos, os participantes abordam desde a história das antigas fazendas escravistas e dos deslocamentos de comunidades caiçaras até os avanços mais recentes em áreas como educação, turismo de base comunitária e práticas agroflorestais.
O documentário também trata dos impactos provocados pela implantação do Parque Estadual da Serra do Mar e do Núcleo Picinguaba em territórios ocupados pelas comunidades tradicionais.
Ao reunir essas vozes em uma mesma produção, o projeto contribui para preservar memórias que nem sempre aparecem nos registros históricos convencionais, mas permanecem vivas nas experiências dos moradores.

Amizade com Mestre Zé Pedro inspirou a produção
Segundo o diretor Moacyr Pinto, a ideia nasceu de experiências vividas durante sua juventude no Camburi e ganhou força décadas depois, a partir da amizade com o quilombola Mestre Zé Pedro, na Casa da Farinha.
Essa convivência já havia resultado em um livro publicado em 2010, reunindo causos e momentos de sabedoria compartilhados por Mestre Zé Pedro.
No documentário, essa inspiração também aparece na trilha sonora. As letras das canções foram escritas pelo próprio diretor com base nos relatos e ensinamentos do mestre quilombola, enquanto as melodias e interpretações ficaram a cargo de Deo Lopes.
O filme foi realizado de maneira autoral e independente.
Memória caiçara e quilombola ganha espaço na tela
Para o presidente da Fundação de Arte e Cultura de Ubatuba (Fundart), Durval Netto, a sessão permitirá ao público conhecer o trabalho de preservação da cultura e das histórias das comunidades quilombolas.
“Esta é uma oportunidade única para acompanhar o trabalho feito pela preservação da memória, da cultura e dos causos das comunidades quilombolas. Iniciativas como essa são sempre bem-vindas”, afirmou.
A escolha da Casa da Farinha para a pré-estreia reforça a conexão entre o filme e o território retratado. O espaço, localizado no Quilombo da Fazenda, guarda referências importantes da história, do trabalho e dos saberes tradicionais da comunidade.
Fonte: Prefeitura de Ubatuba/SP

