Especialistas alertam para possível aumento da conta de luz em 2026. Clima, risco de El Niño e custos do setor elétrico podem impactar o orçamento das famílias.
Depois de ter sido um dos principais fatores de pressão sobre a inflação nos últimos anos, a conta de luz pode voltar a pesar no bolso dos brasileiros em 2026. Projeções de consultorias especializadas e instituições financeiras apontam reajustes que podem variar entre 5% e quase 8%, podendo chegar próximo de 12% em cenários climáticos mais adversos.
Entre os fatores que preocupam especialistas estão o comportamento das chuvas, a possibilidade de transição climática para um cenário de El Niño, o acionamento de usinas termelétricas mais caras e o aumento dos subsídios do setor elétrico pagos pelos consumidores.
O que o El Niño tem a ver com a sua conta de luz?
O sistema elétrico brasileiro depende fortemente das hidrelétricas. Quando os reservatórios recebem menos água devido à redução das chuvas, aumenta a necessidade de utilizar usinas termelétricas, que possuem custo de geração mais elevado.
Esse custo adicional pode ser repassado ao consumidor por meio das chamadas bandeiras tarifárias. Atualmente, o país opera com bandeira verde, sem cobrança extra. Porém, em períodos de seca prolongada, podem ser acionadas as bandeiras amarela ou vermelha, que elevam o valor final da fatura.
Especialistas do setor energético alertam que uma eventual transição de condições associadas à La Niña para um cenário influenciado pelo El Niño pode alterar os padrões de chuva em diversas regiões do país, aumentando a incerteza sobre os níveis dos reservatórios nos próximos meses.
O que muda para o morador do Litoral Norte?
O impacto é direto. Energia elétrica é um gasto presente em praticamente todas as residências e negócios da região.
Um aumento nas tarifas afeta desde o funcionamento de geladeiras, chuveiros elétricos e aparelhos de ar-condicionado até os custos de pousadas, hotéis, restaurantes, mercados e pequenos comércios.
No Litoral Norte, onde o turismo é uma das principais atividades econômicas, o aumento dos custos operacionais pode atingir diversos setores produtivos, especialmente durante períodos de maior movimento.
Como afeta o bolso?
As estimativas mais conservadoras apontam reajustes médios entre 5,1% e 7,95% nas tarifas residenciais ao longo de 2026. Em cenários mais críticos, com uso intensivo de termelétricas e acionamento de bandeiras vermelhas, o aumento pode se aproximar de 12%.
Além das condições climáticas, outro fator que influencia as tarifas é a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo que financia diversos subsídios do setor elétrico. Para 2026, a previsão é de aproximadamente R$ 47,8 bilhões em encargos custeados majoritariamente pelos consumidores por meio da própria conta de energia.
Como afeta a rotina?
O aumento da energia não impacta apenas a conta mensal da residência.
Ele também influencia preços de produtos e serviços, já que empresas e indústrias repassam parte dos custos operacionais para o consumidor final.
Na prática, isso significa que o encarecimento da eletricidade pode contribuir para aumentar despesas com alimentação, hospedagem, comércio e diversos serviços utilizados no dia a dia.
O que o cidadão pode fazer para economizar?
Especialistas recomendam medidas simples para reduzir o consumo de energia:
- Trocar lâmpadas convencionais por LED;
- Evitar deixar aparelhos em modo stand-by;
- Aproveitar mais a iluminação natural;
- Regular a temperatura de geladeiras e freezers;
- Reduzir o tempo de banho com chuveiro elétrico;
- Priorizar equipamentos com selo de eficiência energética.
Embora essas medidas não eliminem os efeitos de reajustes tarifários, elas ajudam a reduzir o impacto no orçamento familiar.
Roberta Guimarães

