Crédito: Adhemir Sian | DEPCOM

Olhar profundo no azul: como Rafael Mesquita retrata e transforma a megafauna marinha no Litoral Norte

O fotógrafo e documentarista Rafael Mesquita Ferreira une expedições no Litoral Norte, ciência cidadã e conservação para dar voz à megafauna marinha.

Fascínio, câmera e mar aberto

No dia 5 de novembro, o programa Pod da PrefSS, episódio 28 (assista clicando aqui), recebe o fotógrafo e documentarista de natureza Rafael Mesquita Ferreira para compartilhar suas expedições no litoral paulista em busca das maiores e mais fascinantes espécies do oceano — baleias, raias-manta, tubarões e outros gigantes do mar.

Atualmente, Mesquita lidera os projetos Megafauna Marinha do Brasil e Mantas de Ilhabela — iniciativas que combinam ciência cidadã, imagem de alto impacto e educação ambiental, com objetivo claro de promover a conservação das espécies-chave e conectar o público ao oceano.


Uma trajetória feita de encontros raros

Desde seus primeiros registros, Rafael relata momentos marcantes em alto mar. Em abril de 2025, por exemplo, ele captou uma interação entre raia-manta (Mobula birostris) e guaiviras (Oligoplites saurus) no canal de São Sebastião, uma cena até então pouco documentada no Brasil.

Anteriormente, em 2023, ele flagrou orcas no litoral de São Paulo — cena rara e de impacto.

Em julho de 2025, Mesquita registrou o primeiro filhote de jubarte da temporada de baleias em Ilhabela, junto com a mãe e um “escort” masculino, numa observação que ele considera símbolo da recuperação da espécie na região.


Ciência cidadã, conservação e imagem como instrumento

O que diferencia o trabalho de Rafael é a abordagem multidisciplinar: ele não apenas fotografa, mas também produz dados científicos, colabora com pesquisadores e mobiliza a sociedade. Por exemplo:

  • O projeto Mantas de Ilhabela conta com o registro de comportamentos raros que foram publicados como nota científica por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
  • Ele integra iniciativas como Tubarões e Raias de Noronha, Toninhas de Ilhabela e Baleia à Vista, ampliando a rede de monitoramento marinho.
  • Suas imagens são ferramentas de sensibilização: ele afirma que mostrar “que aquilo não é do outro lado do mundo, é aqui, no quintal de casa” — reforçando que a biodiversidade marinha também está no nosso litoral.

Importância para o Litoral Norte

A atuação de Rafael tem especial pertinência para o Litoral Norte paulista (como Ilhabela e São Sebastião). Por quê?

  • A biodiversidade local é rica e muitas das observações ocorrem nessa zona costeira — por exemplo, Ilhabela como área de temporada de baleias.
  • Turismo e educação ambiental se entrelaçam: a visibilidade de expedições como as dele fortalece o turismo de natureza, a conscientização e o sentimento de pertencimento à causa da conservação.
  • Para os programas de mídia, como o que você desenvolve, Sophia, é exemplar: mistura imagem, narrativa local, impacto social e ambiental — e isso ressoa tanto com públicos escolares quanto com comunidades costeiras tradicionais.

Porque essa história importa

Porque nos lembra que o oceano, com sua imensidão, não está distante — ele penetra nosso litoral, nosso cotidiano, nossa responsabilidade. O trabalho de Rafael mostra que a fotografia pode ser uma arma de conservação, que os dados podem nascer no barco ou no drone e que a megafauna marinha pode ser protagonista da narrativa ambiental local.
Além disso, ele representa uma interseção vital: arte + ciência + ativismo.

Fonte: Rafael César | PMSS