Projeto “Sete Linhas” une música, arte e vivências afro-brasileiras em Ilhabela, celebrando ancestralidade e reafirmando a presença negra na cidade.
No último domingo (2 de novembro), Fazenda do Engenho D’Água, em Ilhabela (SP), acolheu o evento do projeto Sete Linhas: música e ancestralidade nos terreiros de Ilhabela — iniciativa contemplada pelo Programa de Estímulo à Cultura (PEC) da Prefeitura de Ilhabela e da Secretaria de Cultura.
Idealizado pelo DJ e produtor cultural DJ Kost, o projeto combinou performance musical, arte audiovisual e vivências comunitárias para celebrar saberes afro-brasileiros e reafirmar a presença e a resistência da comunidade negra no município.
A proposta e os atores envolvidos
O Sete Linhas partiu da trajetória de pesquisa do Coletivo Na Subida do Morro, coletivo que atua no fortalecimento de vozes periféricas e dissidentes de Ilhabela, trazendo à tona histórias e expressões que fazem parte da identidade cultural da cidade desde sua fundação.
As atrações incluíram:
- apresentação da Turma do Morro, projeto do espaço cultural Pés no Chão;
- discotecagem sob o selo Sete Linhas, com DJ Kost e Bixo do Mato;
- roda de samba-de-roda rural liderada pelo contramestre de capoeira Alex Felix.
Durante a tarde-experiência, o público participou de um DJ set inédito — resultado de pesquisa que ressignifica a musicalidade afro e valoriza a memória ancestral por meio do som.
DJ Kost destacou que “o valor simbólico do projeto está em fazer com que as pessoas se enxerguem através da música preta da diáspora e preservar as culturas tradicionais de matriz africana da cidade de Ilhabela”.

Por que “Sete Linhas”?
Além de nome artístico, o título remete ao universo das tradições afro-brasileiras — “sete linhas” pode evocar os sete sentidos, as sete direções ou os sete caminhos da ancestralidade na matriz africana. (Verifica-se que o número 7 possui significado simbólico em rituais afro-brasileiros)
O projeto propõe que a música seja vetor de identidade, memória e transformação, além disso, que a ancestralidade se manifeste em espaços culturais fora do circuito tradicional, ocupando terreiros, periferias e territórios historicamente invisibilizados.
Impactos na comunidade e no território
- Fortalecimento de identidades negras locais: o evento reafirma que Ilhabela não é apenas paisagem turística, mas palco de culturas tradicionais que merecem visibilidade.
- Resgate de saberes comunitários: as práticas de samba-de-roda, capoeira, discotecagem experimental e rodas de conversa geram uma interseção entre arte, fé e resistência.
- Ocupação simbólica de espaços: realizar o evento em Fazenda do Engenho e nos terreiros da cidade traz à tona a história dos territórios que foram marcados pela escravidão e pela diáspora.
- Produção audiovisual e ampliação digital: o projeto prevê o lançamento de um minidocumentário no Instagram e no YouTube, com entrevistas a líderes de terreiros e reflexões sobre identidade e cultura afro-brasileira.
O próximo e último ato
O ciclo do projeto será encerrado no sábado (8), às 20h, no espaço cultural Pés no Chão, após o espetáculo “Ntanga”. Nessa ocasião, o público poderá assistir à última performance da discotecagem Sete Linhas com DJ Kost e Bixo do Mato e celebrar novamente arte e ancestralidade.
Fonte: Prefeitura de Ilhabela/SP
