Nos últimos meses, o município de Ubatuba registrou diversos casos de afogamento. Veja os detalhes, riscos comuns e medidas para evitar tragédias no litoral norte de SP.
Incidente de 23 de outubro de 2025
Na manhã de quinta-feira (23/10) dois turistas entraram na água na Praia Grande, em Ubatuba (SP). Um turista de 29 anos foi retirado da água em parada cardiorrespiratória e não resistiu. O amigo permanece desaparecido. O consumo de bebida alcoólica antes de entrar no mar é apontado como fator agravante.

Outras ocorrências recentes
- Em 19 de abril de 2025 um policial militar de 49 anos morreu afogado na Praia do Ubatumirim, em Ubatuba. Ele entrou no mar, ficou cerca de 15 minutos na água e foi retirado em parada cardiorrespiratória, grau 6 de afogamento, já intubado.
- Em novembro de 2024, durante um feriado prolongado, a Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) registrou 19 ocorrências de afogamento com 35 vítimas entre os dias 15 e 17. Nenhuma vítima precisou hospitalização — segundo a corporação, isso serve de “prévia do que está por vir”.
- Em maio de 2025 um turista de 59 anos, morador de São Paulo, morreu afogado na Praia Grande ao surfar.
- Uma ação de resgate com helicóptero da polícia aconteceu em 27 de junho/últimos meses (data aproximada), quando quatro crianças entre 10 e 14 anos foram salvas da afogamento na Praia das Toninhas.
Fatores que se repetem e por que o risco permanece
Condições naturais do mar
- Praias de Ubatuba como a Praia Grande e o Ubatumirim têm correntes de retorno e ondulação forte em determinados trechos, o que amplifica o risco para banhistas menos experientes.
- O GBMar e a Prefeitura reforçam que até praias populares exigem atenção redobrada.

Comportamento de risco
- Em diversos casos foi relatado consumo de álcool antes de entrar no mar, o que reduz reflexos, julgamento e aumenta a exposição ao perigo.
- Falta de verificação das condições da água, entrada em trechos não supervisionados e subestimação dos sinais de perigo (“apagou a onda”, “calmou o mar”) são comuns.
Vigilância e intervenção
- Embora haja guarda-vidas e ações de fiscalização, os incidentes continuam — a incidência de afogamentos serve como indicativo de que educação, infraestrutura e alerta contínuo são essenciais.
- O relato de 35 vítimas em 19 ocorrências num feriado mostra que o volume de visitantes e a dinâmica do turismo aumentam o risco.
Medidas essenciais de prevenção para banhistas
- Sempre verifique a bandeira e a orientação dos guarda-vidas antes de entrar no mar.
- Evite bebida alcoólica antes de nadar ou surfar — o risco de afogamento aumenta significativamente.
- Dê preferência a praias com guarda-vidas presentes e evite áreas isoladas ou com sinais de correnteza.
- Se for criança ou estiver com família, fique atento- e mantenha-se próximo em locais de banho supervisionado.
- Em caso de emergência, procure o guarda-vidas, ligue para 193 ou para o quartel mais próximo do GBMar.
O que cabe aos gestores e à comunidade
- Fortalecer campanhas de conscientização antes da temporada turística, com foco em comportamento seguro no mar.
- Mapear e sinalizar adequadamente os pontos de forte correnteza e risco, com placas visíveis e em múltiplos idiomas.
- Garantir que os guarda-vidas, equipes de resgate e equipamentos (moto-aquática, helicóptero, etc.) estejam bem posicionados e operando nos horários de maior movimento.
- Integrar dados de afogamentos, horários, perfil dos banhistas e condições do mar para antecipar intervenções estratégicas.
Os casos recentes de afogamento em Ubatuba — da Praia Grande ao Ubatumirim — evidenciam que não basta a beleza do litoral: é preciso respeito ao ambiente marinho, atenção às condições e responsabilidade individual. A prevenção depende tanto do comportamento de cada banhista quanto da infraestrutura de segurança pública. Só assim será possível minimizar tragédias que transformam lazer em luto.
Fonte: Polícia Civil
