O que era pra ser uma eleição pacífica para o Conselho Municipal de Habitação de Ilhabela virou um verdadeiro ringue político — com direito a gritaria, empurra-empurra e acusações pesadas entre o atual prefeito Toninho Colucci e o ex-prefeito Manoel Marcos, o Mané.
O episódio, que ocorreu na noite da última quarta-feira (28), ganhou as redes e virou o principal assunto nos grupos de WhatsApp da cidade. Um vídeo mostra o momento em que os dois trocam farpas e precisam ser contidos por aliados. O clima ficou tão tenso que, segundo testemunhas, Colucci teria tentado partir pra cima de Mané, sendo impedido pelo próprio filho.

A pergunta que fica é: por que tanto estresse em uma simples votação de conselho?
O Conselho Municipal de Habitação pode parecer algo burocrático, mas na prática é peça-chave no jogo do poder em Ilhabela. Ele é responsável por fiscalizar e deliberar sobre políticas públicas de moradia, uso do solo, regularização fundiária e afins. Em uma cidade pressionada por ocupações irregulares, loteamentos clandestinos e expansão urbana desenfreada, ter aliados nesse conselho é mais do que estratégico: é vital para quem quer influenciar os rumos do município.
A eleição, que aconteceu no CIT, contava com duas chapas: a da Associação Comercial de Ilhabela e a da ALT (Associação dos Locadores por Temporada). Tudo ia bem até o encerramento da votação, quando Colucci entrou no local defendendo que o processo fosse estendido para permitir mais votos. Foi aí que Mané contestou a manobra, alegando que o prazo já havia acabado. A confusão estourou. Gritaria. Acusações. Câmeras ligadas. O barraco estava armado.

Acusações de todos os lados
De um lado, Mané afirma que sofreu tentativa de agressão e foi alvo de calúnias:
“Tentativa de intimidação, calúnia, difamação, ofensa à minha honra… só não fui agredido porque o filho dele segurou.”
De outro, Colucci não economizou nas palavras e respondeu com áudios inflamados:
“Esse ex-prefeito condenado por corrupção vem falar de mim? Safado, tem que lavar a boca com água sanitária!”
Pra completar, a ALT, que participou da eleição, soltou nota pública afirmando que não tem ligação com nenhum dos dois lados e que repudia o uso político da sua imagem. Justíssimo.

O mais grave nessa história não é quem gritou mais alto ou quem “ganhou” o conselho. É o fato de que Ilhabela, mais uma vez, vê a política ser transformada em um espetáculo lamentável, onde interesses pessoais e disputas por influência se sobrepõem ao bem comum.
A população não ganha absolutamente nada com esse tipo de embate. Pelo contrário: perde a confiança nas instituições, desacredita na democracia e se afasta da participação popular.
É urgente que esse tipo de situação não vire rotina. Conselhos municipais são instrumentos de construção coletiva — e não trampolins para vaidades políticas.
Fonte: Redes Sociais
Roberta Guimarães

