Ubatuba enfrenta desafios significativos no setor da saúde, impactados tanto pelo crescimento populacional quanto pelo grande fluxo de turistas que visitam a cidade ao longo do ano. O município conta com uma rede de atendimento primário, composta por diversas Unidades Básicas de Saúde (UBS), mas a sobrecarga dos serviços e a ausência de um hospital de maior porte evidenciam a necessidade de investimentos estruturais e estratégicos na área.
Atualmente, Ubatuba possui UBS espalhadas por diferentes bairros, oferecendo atendimentos de rotina, vacinação, exames básicos e programas de saúde preventiva. Esses postos são essenciais para a população, principalmente para o acompanhamento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, além de prestar atendimentos pediátricos e ginecológicos. No entanto, a estrutura disponível ainda é insuficiente para atender a crescente demanda, especialmente em regiões mais afastadas do centro.
O município conta com uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) que funciona 24 horas, mas que frequentemente opera acima da capacidade. A alta procura pelo serviço se intensifica durante a temporada de verão, quando a população de Ubatuba praticamente dobra devido ao turismo. Com isso, pacientes enfrentam longas filas e esperas prolongadas para atendimentos emergenciais. Além disso, casos mais graves precisam ser transferidos para cidades vizinhas, como Caraguatatuba e São José dos Campos, aumentando os riscos para os pacientes devido ao deslocamento.
A falta de um hospital equipado para atendimentos de média e alta complexidade é uma das principais deficiências do sistema de saúde de Ubatuba. O município depende de cidades vizinhas para internações, cirurgias e exames especializados, o que sobrecarrega as ambulâncias do SAMU e dificulta o acesso da população a serviços essenciais. A implantação de um hospital regional ou municipal é uma necessidade urgente para garantir que os moradores e turistas tenham atendimento adequado sem a necessidade de longos deslocamentos.
É elogiável o esforço da Secretaria Municipal de Saúde em investir em ações que buscam melhorar a qualidade do atendimento e ampliar o acesso aos serviços de saúde. Programas como o “Viva Saudável, Viva Melhor”, que incentivam hábitos saudáveis, atividades físicas, palestras educativas e acompanhamento nutricional, são iniciativas importantes. No entanto, esses esforços ainda são insuficientes, muito insuficientes, diante da realidade de Ubatuba, pelos motivos expostos acima: demanda crescente por serviços de saúde, especialmente durante a temporada turística, sobrecarrega a estrutura existente, tornando essas ações positivas, mas limitadas para suprir as necessidades de um município com tantas deficiências no setor, como a falta de um hospital de maior porte e a insuficiência de atendimento especializado. Além disso, a capacitação de profissionais e a ampliação de especialidades médicas são importantes, mas não resolvem, por si só, a falta de infraestrutura básica e a urgência de investimentos em unidades de saúde que atendam a todas as demandas da população.
Para melhorar a qualidade da saúde em Ubatuba, é urgente que a prefeitura tome medidas decisivas e intensifique seus esforços. A construção de um hospital de referência, a ampliação das UBS e da UPA, e a contratação massiva de profissionais da saúde são ações fundamentais e não podem mais ser negligenciadas. Além disso, a descentralização do atendimento e a modernização das unidades de saúde existentes precisam ser tratadas como prioridades imediatas, para garantir que o serviço se torne realmente eficiente e acessível a toda a população. Diante do rápido crescimento da cidade e do impacto do turismo, que agravam a sobrecarga do sistema, não há mais espaço para soluções paliativas. Medidas estruturais e de longo prazo são essenciais agora para evitar que o sistema de saúde continue à beira do colapso e, assim, garantir um atendimento digno tanto para os moradores quanto para os milhares de visitantes. A falta de ação imediata pode agravar ainda mais a situação e comprometer o bem-estar da comunidade.
por Roberta Guimarães
