Ao se declarar “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” — e depois recuar, limitando-se ao epíteto de “líder” —, Flávio Bolsonaro parece acreditar que o apoio de Donald Trump pode transformar sua derrota eleitoral em credencial para liderar o País do exterior. Em sua carta, evoca figuras como Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí para apresentar sua saída do Brasil como parte de uma tradição de resistência democrática no exterior. A lista é ambiciosa, mas há um nome também mencionado no texto que deveria inspirar mais cautela do que entusiasmo: Juan Guaidó .
Em 2019, o então presidente da Assembleia Nacional da Venezuela autoproclamou-se “presidente interino” do país, contestando a legitimidade de Nicolás Maduro. Trump foi um dos primeiros líderes a reconhecê-lo, e vários governos-satélites seguiram Washington. Guaidó ganhou projeção internacional, mas não conseguiu assumir o controle do Estado. Seu governo fictício, resumido a um escritório em Miami, acabaria dissolvido pela própria oposição venezuelana no fim de 2022.
Flávio parece apostar em uma trajetória semelhante: de Miami, pretende organizar a oposição brasileira e apresentar-se como representante legítimo do Brasil. Trilhando os passos do pai, Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes, o senador recusa-se a aceitar a derrota para Lula nas urnas.
O candidato do PL alega ter havido fraude na prorrogação do horário de votação determinada pelo ministro Cristiano Zanin, embora seu partido tenha feito o mesmo pedido em estados afetados por eventos climáticos. Detalhe: o Tribunal Superior Eleitoral registrou apenas 34,3 mil votos após as 17h, durante a prorrogação determinada por Zanin, enquanto Lula venceu por uma margem superior a 4 milhões de votos.
O Guaidó de Taubaté deveria prestar atenção a outra lição venezuelana: o apoio norte-americano tem limites e está sujeito aos interesses de Washington. Depois de anos de pressão contra Maduro, os Estados Unidos passaram a negociar com integrantes do próprio chavismo quando isso se mostrou conveniente.
Em 2022, o governo Biden abriu canais de diálogo com Caracas, deixando Guaidó à margem.
Redação JORNAL AGORA
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