Uma pesquisa desenvolvida pela Embrapa Florestas e pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena-USP) demonstrou os benefícios do uso da árvore bordão-de-velho (Samanea tubulosa) em sistemas silvipastoris. O estudo comprova que a presença da espécie nativa melhora a qualidade biológica do solo, aumentando o estoque de carbono e garantindo maior estabilidade e diversidade para as comunidades de microrganismos.
A investigação integra a tese de doutorado de Henrique Nery Cipriani, pesquisador da Embrapa Florestas, realizada sob orientação da professora Tsai Siu Mui no campus do Cena-USP, em Piracicaba. Pertencente à família Fabaceae, a mesma da soja e do feijão, a Samanea tubulosa é uma leguminosa nativa da América tropical com ampla distribuição no território nacional. A espécie registra ocorrência em diversos estados brasileiros, incluindo São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro, Goiás e Mato Grosso, adaptando-se a variadas formações vegetais e condições ambientais.
Além de enriquecer biologicamente o solo, a espécie oferece múltiplos recursos práticos para a integração pecuária-floresta. A árvore atinge cerca de 28 metros de altura e possui uma copa ampla que proporciona sombra ao gado. O vegetal se destaca por fixar nitrogênio no terreno e produzir frutos nutritivos consumidos pelos animais. Conhecida popularmente por nomes como barba-de-velho, farinha-seca, ingá-de-pobre e árvore-da-chuva, a planta sobressai pela utilidade no manejo de pastos, mesmo que seu aproveitamento madeireiro não apresente a mesma rentabilidade comercial de florestas de eucalipto.
Os resultados da pesquisa reforçam o valor ecossistêmico de espécies nativas na sustentabilidade das pastagens no país. A utilização do bordão-de-velho consolida-se como alternativa para produtores que buscam aliar a eficiência biológica do solo ao manejo da pecuária.
Redação JORNAL AGORA
Imagens: Divulgação



