Falta de imunização em adultos impulsiona casos de sarampo no Brasil

No Dia Nacional de Vacinação, celebrado neste domingo (17), especialistas alertam para a necessidade de manter a atualização da caderneta de imunização ao longo de todas as fases da vida. Embora o hábito seja frequentemente associado à infância, a interrupção da vacinação na idade adulta e na terceira idade tem contribuído para o reaparecimento e a propagação de doenças virais graves no país, muitas das quais possuem potencial de complicação e hospitalização.

Um dos principais reflexos da queda nas taxas de cobertura entre os adultos é o aumento do sarampo no território nacional. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, o Brasil registrou ao menos 61 casos da doença até o mês de outubro. De um grupo de 41 pacientes diagnosticados com a enfermidade, cerca de 75% não haviam recebido a vacina correspondente. De acordo com o epidemiologista José Geraldo Leite Ribeiro, do Fleury, as vacinas atuam apresentando ao organismo versões enfraquecidas dos agentes infecciosos, estimulando uma resposta imunológica preventiva para que o corpo esteja preparado ao entrar em contato com o vírus real.

Além da perda de cobertura ao longo do tempo, o público mais velho enfrenta o processo de imunossenescência, caracterizado pela deterioração natural do sistema imunológico a partir dos 50 anos de idade. Com o envelhecimento dessa estrutura de defesa, o organismo humano torna-se mais suscetível a contrair infecções e perde a eficiência no combate a diversas patologias. Diante disso, o acompanhamento do calendário vacinal torna-se indispensável nessa faixa etária, na qual doenças virais tendem a se manifestar de forma mais severa e com maior risco de complicações graves.

Para garantir a proteção individual e coletiva, especialistas destacam que todos os imunizantes previstos no Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde devem ser mantidos em dia. As doses contra meningite e a pneumocócica, como a 20-valente, protegem as crianças contra pneumonias graves, enquanto a imunização contra o HPV é prioritária na adolescência para prevenir diferentes tipos de câncer. Já a vacina contra a gripe e a influenza necessita de manutenção periódica em todas as idades, sendo essencial principalmente para crianças e idosos.

Redação JORNAL AGORA
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